Imagens de quarta e quinta-feira revelam uma extensa mancha cinza sobre o Amazonas; capital registrou concentração de partículas finas acima de 490 µg/m³
Imagens de satélites da Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço (Nasa), registradas nesta quarta-feira (7) e quinta-feira (8), mostram Manaus e parte do Amazonas encobertas por uma extensa mancha cinza. Segundo meteorologistas, a imagem corresponde a uma camada de fumaça que acompanha a piora da qualidade do ar na capital amazonense.
De acordo com o meteorologista Willy Hagi, parte da fumaça observada nas imagens também cobre áreas do Pará e avança em direção ao Amazonas. Ele ressalta, porém, que não é possível afirmar que a poluição registrada em Manaus tenha origem no estado vizinho. A fumaça pode vir de regiões mais próximas da capital.
Os registros podem ser consultados na plataforma Nasa Worldview, que reúne imagens de diferentes satélites e permite acompanhar mudanças na superfície terrestre. A ferramenta também possibilita selecionar datas e comparar imagens para observar a evolução de fenômenos ambientais.
Qualidade do ar chega ao pior nível do ano
Manaus enfrenta uma intensificação da poluição atmosférica desde a noite de quarta-feira (7). Na madrugada desta quinta-feira, um ponto de monitoramento registrou concentração de 490,1 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de partículas finas, conhecidas como PM2,5, segundo dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
O índice representa um aumento de aproximadamente 71% em relação ao maior valor registrado anteriormente neste ano, quando a concentração chegou a 286,2 µg/m³, em setembro.
Pela escala utilizada pelo Selva, concentrações superiores a 125 µg/m³ são classificadas como péssimas. As partículas PM2,5 têm diâmetro muito pequeno e podem penetrar profundamente no sistema respiratório, o que aumenta os riscos à saúde durante episódios de poluição intensa.
A fumaça que encobre a capital também coincide com incêndios registrados no Amazonas, incluindo o fogo em uma área de descarte de resíduos e vegetação no Distrito Industrial 2, na Zona Leste de Manaus, que permanecia ativo nesta quinta-feira.
Amazonas registra quase 7 mil focos de calor
Entre janeiro e 7 de outubro de 2026, o Amazonas registrou 6.901 focos de calor, conforme dados do Panorama de Focos de Calor, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).
Os registros são feitos por satélites e ajudam a identificar áreas com presença de fogo ou temperaturas elevadas. Os municípios com maior número de ocorrências no período foram Apuí, Novo Aripuanã, Lábrea, Autazes e Boca do Acre.
A presença de focos de calor, associada às condições climáticas e à dispersão da fumaça, contribui para o monitoramento dos incêndios e de seus possíveis impactos sobre a qualidade do ar.
Diante da poluição, a recomendação é reduzir a exposição à fumaça, evitar atividades físicas ao ar livre nos períodos mais críticos e manter atenção a sintomas como tosse, irritação nos olhos e na garganta e falta de ar. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas devem ter cuidado redobrado.



