Papa Leão 14 deve escolher substituto de dom Leonardo Steiner, que completou 75 anos, em meio a debates sobre missão social e ambiental na região
A Arquidiocese de Manaus está no centro de uma das decisões mais estratégicas do Vaticano para o Brasil. O papa Papa Leão XIV deverá nomear nos próximos meses o sucessor de Leonardo Ulrich Steiner, que completou 75 anos em novembro do ano passado — idade em que, pelas normas da Igreja Católica, o bispo apresenta pedido de renúncia ao pontífice.
A mudança ocorre em um momento simbólico para Manaus e para toda a Amazônia. Desde 2019, quando foi nomeado pelo então papa Papa Francisco, Steiner consolidou a capital amazonense como referência internacional nos debates sobre meio ambiente, povos originários e presença missionária da Igreja em áreas isoladas. Em 2022, tornou-se o primeiro cardeal da Amazônia, gesto visto como sinal do protagonismo da região no cenário católico global.
Amazônia no centro das decisões
A escolha do novo arcebispo de Manaus ganha peso porque a arquidiocese é considerada estratégica. Diferentemente de grandes centros urbanos como São Paulo ou Rio de Janeiro, a Igreja na Amazônia enfrenta desafios específicos: comunidades ribeirinhas distantes, escassez de sacerdotes, conflitos socioambientais e demandas históricas dos povos indígenas.
Especialistas apontam que o nome escolhido indicará qual linha pastoral o novo papa pretende fortalecer no Brasil. Se optar por alguém com perfil semelhante ao de Steiner — marcado por atuação social e defesa da ecologia integral — Leão 14 sinalizará continuidade da agenda amazônica impulsionada no pontificado anterior. Caso escolha um perfil mais administrativo ou conservador, poderá indicar nova ênfase na condução da Igreja local.
Processo de escolha
Pelas regras do Direito Canônico, ao completar 75 anos o arcebispo apresenta sua renúncia ao papa, que decide quando aceitá-la e nomear o sucessor. O processo envolve consultas reservadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e ao núncio apostólico no país, representante diplomático da Santa Sé.
Enquanto a decisão não é oficializada, dom Leonardo Steiner permanece à frente da arquidiocese. A expectativa é que a nomeação ocorra nos próximos meses, dentro de um pacote mais amplo de mudanças que também inclui outras importantes arquidioceses brasileiras.
Impacto local
Em Manaus, a sucessão é acompanhada com atenção por lideranças religiosas e movimentos sociais. A arquidiocese tem papel relevante em pautas como direitos humanos, preservação ambiental e apoio a comunidades vulneráveis.
A escolha do novo arcebispo poderá influenciar diretamente a condução desses temas na capital amazonense e no interior do estado, reforçando — ou redesenhando — a presença da Igreja Católica no coração da floresta.



