Operações em Itacoatiara permitem reduzir o calado de navios e facilitar a navegação até Manaus durante a queda do nível dos rios
O Grupo Atem realizou duas operações de transbordo de petróleo na primeira semana de outubro, em uma base fluvial em Itacoatiara, no interior do Amazonas, para manter o transporte de combustíveis durante a vazante dos rios. A operação transfere cargas de navios para balsas-tanque e permite reduzir a profundidade necessária para a navegação em trechos críticos do percurso até Manaus.
A estrutura foi montada pela Navemazônia, empresa de logística fluvial do grupo, para reduzir os impactos de possíveis restrições à navegação e manter o fluxo de petróleo e derivados destinados à capital e a outras localidades do estado.
As operações ocorreram em uma área de fundeadouro no Rio Amazonas, com licenças e autorizações dos órgãos competentes e das autoridades portuárias e marítimas. A estrutura permite realizar transferências de navios para balsas, na modalidade ship-to-barge, e de balsas para navios, chamada barge-to-ship.
Balsa transporta carga equivalente a 200 caminhões-tanque
Uma das operações utilizou a Lumpsum, maior balsa da Navemazônia. A embarcação recebeu uma carga equivalente à capacidade de 200 caminhões-tanque, permitindo aliviar o peso do navio e reduzir seu calado — a profundidade da parte submersa da embarcação.
A medida facilita a passagem por trechos considerados críticos durante a estiagem, como a Costa do Tabocal e a enseada do Madeira, no trajeto até Manaus.
As operações também envolveram balsas-tanque, lanchas de apoio e uma base operacional fluvial. A transferência de carga permite adaptar o transporte às condições de navegabilidade, especialmente quando a redução do nível dos rios dificulta a circulação de navios de grande porte.
Vazante exige planejamento logístico
Durante a estiagem, a diminuição do nível dos rios pode restringir a passagem de embarcações que transportam petróleo e derivados para a Refinaria da Amazônia. A unidade abastece distribuidoras de combustíveis, empresas de navegação e outros setores da economia.
Por isso, o transbordo em Itacoatiara é uma das estratégias utilizadas pelo grupo para manter o fluxo de produtos até Manaus e outros municípios do Amazonas.
Além dessas operações, o planejamento inclui monitoramento dos rios, antecipação de viagens e formação de estoques, reforço da frota e utilização de previsões elaboradas pelo Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Empresas integram transporte fluvial e rodoviário
A estratégia também considera a experiência acumulada nas estiagens de 2023 e 2024. Segundo o grupo, os desafios enfrentados nesses períodos reforçaram a necessidade de coordenar diferentes etapas da cadeia logística.
O planejamento envolve a Refinaria da Amazônia, a Atem Distribuidora, a Navemazônia, responsável pelo transporte fluvial, e a Rodoamazônia, que atua no transporte rodoviário.
A integração permite ajustar embarcações, estoques, rotas e modalidades de transporte conforme as condições dos rios.
“Nas estiagens anteriores, aprendemos na prática que não existe uma única solução para enfrentar as restrições de navegabilidade. É preciso combinar antecipação de estoques e viagens, diferentes embarcações, rotas e modais”, afirma Guilherme Santana, vice-presidente de Distribuição e Operações do Grupo Atem.



