Licenciatura em Pedagogia Indígena começa com 31 acadêmicos em território Tikuna, em Tabatinga
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) iniciou nesta segunda-feira (23/2) um novo capítulo na educação indígena do estado com a aula inaugural da Licenciatura em Pedagogia Indígena, realizada na comunidade Belém do Solimões, em Tabatinga. A cerimônia oficializou a implantação do primeiro polo rural indígena da instituição.
Localizada a 1.114 quilômetros de Manaus, a comunidade está em território tradicional do povo Tikuna. O novo polo funciona na Escola Indígena Eware Mowatcha e atende inicialmente 31 acadêmicos dos povos Tikuna e Kokama, que passam a ter acesso ao ensino superior em seu próprio território.
Educação intercultural e bilíngue
A Licenciatura em Pedagogia Indígena foi estruturada para formar professores ao longo de quatro anos, com foco na educação básica escolar indígena. O curso articula conhecimentos acadêmicos e saberes tradicionais, valorizando as línguas originárias e a realidade sociocultural das comunidades.
A proposta pedagógica tem base intercultural e comunitária, buscando fortalecer a autonomia educacional e a identidade dos povos indígenas do Alto Solimões.
A vice-reitora da UEA, Katia Couceiro, destacou que a implantação do polo integra a política de interiorização e inclusão da universidade.
“Vivemos um momento histórico. Sabemos que os próximos quatro anos trarão desafios, mas também serão de muito aprendizado e crescimento. Vocês serão multiplicadores da educação neste novo polo da UEA”, afirmou.
Parceria com o município
O projeto foi viabilizado em parceria com a Prefeitura de Tabatinga. O prefeito Plínio Cruz ressaltou a importância da iniciativa.
“A partir de hoje, a universidade passa a fazer parte da vida da nossa comunidade indígena. Destaco o cuidado da UEA em realizar um vestibular específico na própria comunidade, garantindo acesso e respeito às realidades locais”, declarou.
A realização do processo seletivo na própria comunidade foi apontada como diferencial, ampliando o acesso ao ensino superior para estudantes que antes enfrentavam dificuldades logísticas e financeiras para estudar em centros urbanos.
Conquista histórica
Para os acadêmicos, a implantação do polo representa uma demanda antiga atendida. Bruno Fernandes, estudante do povo Tikuna, classificou a chegada da universidade como uma conquista coletiva.
O diretor do Centro de Estudos Superiores de Tabatinga (Cestb), Edilson de Carvalho, afirmou que a criação do curso é resultado de diálogo contínuo com lideranças locais e reforçou que a unidade possui equipe qualificada e experiência em educação indígena.
Com o novo polo, a UEA amplia a oferta de ensino superior em áreas de difícil acesso e reforça o compromisso institucional com a diversidade cultural da Amazônia, fortalecendo a formação de professores indígenas e a valorização dos saberes tradicionais no ambiente acadêmico.



