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Foto: Divulgação
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“Do outro lado do Sol” será apresentado ao público no dia 7 de março, no Centro de Manaus

Jornalista, escritor e ex-diretor de redação do Jornal A CRÍTICA, Wilson Nogueira prepara o lançamento de sua nova obra autoral, “Do outro lado do Sol”. O livro será apresentado oficialmente no dia 7 de março, às 10h, na Valer Teatro, localizada na Rua José Clemente, no Centro de Manaus.

A obra é inspirada em um caso real ocorrido em 1956, na Vila Amazônia, distrito de Parintins. O romance revisita o massacre da família Hidaka-Kimura, episódio que marcou a memória coletiva da região.

Entre a memória e a ficção

Em entrevista ao programa Bem Viver, Nogueira explicou que a narrativa foi construída com base em depoimentos de dois sobreviventes — crianças à época do crime, que estavam fora da residência no momento do ataque.

“Orientei-me pelos depoimentos de dois sobreviventes. Digo sobreviventes porque estavam fora de casa quando o massacre ocorreu. Mesmo assim, advirto que se trata de uma narrativa inspirada em fato”, destacou o autor.

Segundo ele, a história se insere em um contexto mais amplo, marcado pelo período pós-Segunda Guerra Mundial, quando imigrantes de países ligados ao Eixo sofreram perseguições e campanhas de ódio no Brasil.

“Trata-se de um crime horroroso, ocorrido com uma família de japoneses que morava às margens de um rio amazônico então pouco habitado”, explicou.

O escritor também relatou que tentou localizar o processo judicial do caso, mas não conseguiu acesso aos documentos, o que reforçou a necessidade de recorrer à ficção como forma de reconstrução narrativa.

Vila Amazônia como personagem

No livro, a Vila Amazônia ganha protagonismo simbólico e afetivo. Nogueira relembra memórias pessoais ligadas ao lugar, onde acompanhava o pai em viagens de canoa entre Parintins e a comunidade.

“A Vila mexe com o meu coração. É um lugar bonito, do qual tenho muitas recordações. O livro ficaria em falta com o leitor sem as alegorias tecidas pelo imaginário que mora na ilha e no seu entorno”, afirmou.

Reflexão sobre história e identidade

Embora ambientado no passado, o romance dialoga com questões contemporâneas da Amazônia. Para o autor, a obra pode estimular reflexões sobre memória, identidade e a necessidade de revisitar narrativas esquecidas.

“Espero que o leitor faça uma reflexão a respeito da necessidade de conhecermos a nossa história. O perigo da história única está exatamente aí”, pontuou.

Além da dimensão literária, Nogueira afirma desejar que o livro inspire pesquisas históricas, sociológicas e antropológicas sobre o episódio e o contexto em que ocorreu.

O lançamento é aberto ao público.

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