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Foto: Marcello Casal / Agência Brasil
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Relatório da ONU destaca eficácia de políticas públicas, mas alerta para a violência como principal causa de morte entre adolescentes masculinos

O Brasil atingiu um marco histórico na saúde pública: as menores taxas de mortalidade neonatal e em crianças menores de cinco anos dos últimos 34 anos. Os dados fazem parte do relatório Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil, divulgado nesta terça-feira (17) pelas Nações Unidas. O avanço reflete décadas de investimentos em atenção básica e estratégias de acompanhamento familiar.


A Evolução dos Números (1990 – 2024)

A queda nos índices de mortalidade demonstra a consolidação de uma rede de proteção que salvou milhares de vidas ao longo das últimas gerações.

CategoriaTaxa em 1990Taxa em 2024Redução
Mortalidade Neonatal (até 28 dias)25 a cada 1.0007 a cada 1.000~72%
Mortalidade até 5 anos63 a cada 1.00014,2 a cada 1.000~77%

Os Pilares do Sucesso

O Unicef atribui esse resultado a um conjunto de políticas públicas que se tornaram referência internacional. Entre as principais iniciativas citadas estão:

  • Estratégia Saúde da Família (ESF): Foco na prevenção e acompanhamento contínuo.
  • Agentes Comunitários de Saúde: O elo direto entre o sistema e as residências.
  • Vacinação e Amamentação: Campanhas massivas que reduziram mortes por causas evitáveis.
  • Expansão da Rede Pública: Maior capilaridade do atendimento em regiões remotas.

O Alerta: Desaceleração e Violência

Apesar dos avanços históricos, o relatório acende um sinal amarelo para dois pontos críticos no cenário brasileiro:

  1. Ritmo de Queda: A redução da mortalidade neonatal, que era de 4,9% ao ano (2000-2009), caiu para 3,16% ao ano na última década, seguindo uma tendência de estagnação global.
  2. Juventude e Violência: Entre jovens de 15 a 19 anos, os dados são alarmantes. Para os meninos, a violência é responsável por 49% das mortes. Já entre as meninas, a principal causa são as doenças não transmissíveis (37%), seguidas por causas externas como violência (12%) e suicídio (10%).

O Retorno do Investimento: O Unicef destaca que investir na sobrevivência infantil não é apenas uma questão humanitária, mas econômica. Cada US$ 1 investido pode gerar até US$ 20 em benefícios sociais e econômicos no futuro, reduzindo gastos públicos e aumentando a produtividade da nação.

O relatório global foi feito pelo Grupo Interagencial das Organizações Nações Unidas (ONU) para Estimativas de Mortalidade Infantil (UN IGME), em parceria com Banco Mundial, Organização Mundial da Saúde (ONU) e Departamento Assuntos Econômicos e Sociais (Desa/ONU).

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