Nova concessionária afirma que tecnologia SMC não será retomada e aponta rede defasada como principal desafio no Amazonas
A Âmbar Energia informou que não pretende retomar a instalação de medidores aéreos de energia, conhecidos como SMC (Sistema de Medição Centralizada), em Manaus. A declaração foi feita pelo presidente da empresa, João Pilla, nesta terça-feira (14), poucos dias após assumir oficialmente as operações da Amazonas Energia no estado.
Segundo o executivo, o modelo — que começou a ser implantado em 2024 e gerou críticas entre consumidores — não está entre as prioridades da nova gestão, principalmente pelo alto custo. “A gente não pretende trabalhar com isso, porque isso é um custo muito alto para a distribuidora”, afirmou.
Os medidores aéreos foram alvo de questionamentos por parte da população, que levantou dúvidas sobre a transparência na medição de consumo e possíveis impactos nas contas de energia, além de ações judiciais envolvendo a tecnologia.
A empresa informou que estuda alternativas mais modernas de medição, com foco na eficiência do serviço e no combate ao furto de energia, um dos principais problemas enfrentados no estado.
Ao detalhar o cenário encontrado, João Pilla apontou que a rede elétrica no Amazonas está defasada e sobrecarregada, tanto na capital quanto no interior. Segundo ele, a situação exige investimentos urgentes em manutenção e modernização para reduzir falhas e interrupções no fornecimento.
Entre as medidas previstas estão a instalação de sensores e religadores para identificar problemas com mais rapidez, além de ações imediatas, como poda de árvores próximas à rede. Já obras estruturais, como construção de subestações, devem ocorrer ao longo dos próximos anos.
A concessionária atende cerca de 1,1 milhão de unidades consumidoras no estado, sendo aproximadamente 600 mil em Manaus. No interior, o desafio é ainda maior: dos 62 municípios, apenas oito estão integrados ao Sistema Interligado Nacional, o que mantém a dependência de termelétricas a diesel.
A Âmbar também destacou que pretende reduzir gradualmente o uso dessas fontes mais poluentes e ampliar a integração ao sistema nacional de energia.
A mudança na gestão da distribuidora ocorre após um processo de negociação e disputa judicial iniciado em 2024. A transferência de controle foi aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e homologada pela Justiça Federal, com a conclusão no último dia 10.
Pelo acordo, a nova controladora se comprometeu a realizar um aporte de cerca de R$ 9,8 bilhões para reestruturar a companhia, que enfrentava grave crise financeira. Segundo a empresa, o plano de investimentos será executado ao longo dos próximos três anos, com foco na melhoria do serviço e ampliação da capacidade da rede.



