Levantamento aponta que a chamada “Geração Prateada” já representa quase um em cada quatro eleitores do país
Um levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o número de eleitores com 60 anos ou mais cresceu de forma acelerada no Brasil nos últimos anos e deve ter papel relevante nas eleições de 2026.
De acordo com o estudo, enquanto o eleitorado geral aumentou 15% entre 2010 e 2026, o público 60+ registrou alta de 74% no mesmo período. Em números absolutos, o grupo passou de 20,8 milhões para 36,2 milhões de eleitores aptos a votar.
Até o momento da coleta, o país soma 156,2 milhões de eleitores, número que ainda pode crescer até o prazo final de cadastro, em 6 de maio.
Com esse avanço, a chamada “Geração Prateada” já representa 23,2% do eleitorado brasileiro — quase um em cada quatro votantes — ampliando seu peso no cenário político, especialmente em disputas equilibradas.
Segundo o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, esse contingente pode ter influência significativa nos resultados eleitorais, principalmente em cenários de maior polarização, como ocorreu nas eleições de 2022, quando a diferença entre candidatos foi inferior a 2 milhões de votos.
O levantamento também aponta que o crescimento desse grupo acompanha o envelhecimento da população brasileira. Em três décadas, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais saltou de 7% para 16%.
Outro dado relevante é a participação nas urnas. A taxa de abstenção entre eleitores com mais de 60 anos caiu nas últimas eleições, passando de 37,1% em 2014 para 34,5% em 2022. Já entre os eleitores em geral, o índice seguiu tendência oposta, com aumento no mesmo período.
Mesmo entre os maiores de 70 anos, para quem o voto não é obrigatório, houve maior comparecimento. A abstenção caiu de 63,6% em 2014 para 58,9% em 2022.
Além do crescimento entre eleitores, o número de candidatos com mais de 60 anos também tem aumentado. Nas eleições municipais de 2024, mais de 70 mil pessoas dessa faixa etária se candidataram, representando cerca de 15% do total — o maior percentual da série histórica.
Os dados indicam que, com o avanço da longevidade e maior participação política, o eleitorado mais velho tende a ganhar ainda mais relevância nas próximas disputas eleitorais no país.



