As ações abrangeram 47 municípios
Com o lema “Ocupar para o Brasil Alimentar”, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) mobilizou cerca de 50 mil pessoas em todo o país durante a Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária de 2025. A ação ocorreu entre os dias 1º e 17 de abril, período que marca o Abril Vermelho — mês histórico de mobilização por terra e justiça social.
Ao todo, o movimento realizou 55 ações em 21 estados, com ocupações de terra, atos públicos e intervenções em órgãos ligados ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Foram 28 ocupações de áreas improdutivas, cinco ocupações de prédios públicos e a formação de dois novos acampamentos. As ações abrangeram 47 municípios.
Reforma agrária como resposta à fome
Em nota, o MST destacou que o objetivo principal das mobilizações é pressionar pela democratização do acesso à terra e reforçar que a reforma agrária e a agricultura familiar camponesa são soluções estruturantes para o combate à fome no Brasil. Atualmente, segundo o movimento, mais de 145 mil famílias seguem acampadas em todo o país, à espera de terras para produzir.
Apesar de reconhecer avanços recentes do governo federal, o MST critica a lentidão nos assentamentos. Desde o início do atual mandato, menos de 5 mil famílias foram assentadas, e muitos processos ainda não foram concluídos. Para o movimento, a mobilização popular é essencial para acelerar desapropriações e garantir que terras improdutivas cumpram sua função social, como determina a Constituição.
Governo projeta novos assentamentos
O Ministério do Desenvolvimento Agrário anunciou a meta de assentar pelo menos 295 mil novas famílias até 2026, incorporando inclusive áreas de grandes devedores da União em alguns estados. A pasta tem buscado acordos com o MST e outras organizações para acelerar o processo e ampliar o acesso à terra, fortalecendo políticas de apoio à agricultura familiar.
Atualmente, mais de 21 milhões de lares brasileiros vivem em situação de insegurança alimentar moderada ou grave, segundo dados citados pelo movimento. A Jornada Nacional de Lutas se insere nesse contexto, lembrando que reforma agrária é também uma questão de soberania alimentar e justiça social.



