Máxima foi registrada nesta segunda-feira (31) pelo Inmet e supera os 37,1°C alcançados no dia 25; especialistas apontam influência do período seco, do El Niño e da urbanização
Manaus registrou nesta segunda-feira (31) a maior temperatura do ano, com 37,3°C, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A marca supera o recorde anterior, de 37,1°C, registrado no dia 25 de agosto. As cinco maiores temperaturas de 2026 na capital amazonense foram alcançadas somente neste mês.
O calor intenso ocorre durante o chamado verão amazônico, período que vai, em geral, de julho a novembro e é marcado pela redução das chuvas e pelo aumento da incidência de radiação solar.
Além das condições sazonais, especialistas apontam que fenômenos climáticos, como o El Niño, podem contribuir para intensificar as temperaturas. O fenômeno é provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode alterar os padrões de chuva, temperatura e circulação dos ventos em diferentes regiões.
Segundo a meteorologista Andrea Ramos, o período seco oferece as condições naturais para o aumento do calor, enquanto o El Niño pode atuar como um fator de intensificação.
A configuração urbana de Manaus também contribui para a retenção de calor. A substituição de áreas verdes por asfalto e concreto reduz a capacidade de resfriamento natural do solo. Esses materiais absorvem grande quantidade de energia solar durante o dia e liberam parte desse calor posteriormente.
A impermeabilização do solo também reduz a quantidade de água disponível para evaporação, processo que ajuda a diminuir naturalmente a temperatura do ambiente. Outro fator é a redução da arborização, que diminui a oferta de sombra e a capacidade de amenizar o calor nas áreas urbanas.
A ocupação da cidade ainda pode dificultar a circulação do ar. A concentração de construções e edifícios cria barreiras que interferem na passagem dos ventos úmidos provenientes dos rios Negro e Amazonas.
Apesar da coincidência entre o período de seca dos rios e as altas temperaturas, Andrea Ramos explica que o baixo nível dos rios não provoca diretamente uma massa de ar quente sobre Manaus. O principal fator é a combinação entre menor frequência de chuvas, redução da nebulosidade e maior incidência de radiação solar.
Com menos umidade no solo e na vegetação, uma parcela maior da energia recebida do Sol é transformada diretamente em calor, elevando a temperatura próxima à superfície.
A meteorologista Luciana Gatti alerta ainda para a necessidade de ampliar a arborização urbana como estratégia de adaptação aos eventos extremos de calor. Segundo ela, a tendência é de que esses episódios se tornem mais frequentes e intensos, aumentando a necessidade de medidas para reduzir o aquecimento nas cidades.



