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Foto: Rede Amazônica
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Temperatura chegou a 37,6°C nesta terça-feira e supera a marca registrada na segunda; El Niño, estiagem e características da urbanização estão entre os fatores que favorecem o aumento do calor

Manaus registrou, pelo segundo dia consecutivo, a maior temperatura do ano. Os termômetros chegaram a 37,6°C nesta terça-feira, 1º de setembro, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A marca supera os 37,3°C registrados na segunda-feira, 31 de agosto, que já haviam estabelecido um novo recorde para 2026.

O calor também superou a marca de 37,1°C registrada em 25 de agosto. Com os novos registros, agosto e o início de setembro concentram as temperaturas mais elevadas do ano na capital amazonense.

El Niño intensifica o calor

Segundo especialistas, as altas temperaturas estão relacionadas às características do verão amazônico, período que ocorre entre julho e novembro, e podem ser intensificadas pela atuação do fenômeno El Niño.

O fenômeno é provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode alterar os padrões de chuva, temperatura e circulação dos ventos em diferentes regiões do planeta.

A meteorologista Andrea Ramos explica que o verão amazônico fornece as condições sazonais para o aumento das temperaturas, enquanto o El Niño pode contribuir para intensificar esse cenário.

Durante o período de estiagem, a redução das chuvas e da nebulosidade aumenta a incidência de radiação solar. Com menos umidade no solo e na vegetação, uma parcela maior da energia recebida do Sol é transformada em calor, elevando a temperatura próxima à superfície.

Urbanização aumenta sensação de calor

Além dos fatores climáticos, a própria configuração urbana de Manaus contribui para a retenção de calor. A expansão das áreas pavimentadas e a redução da vegetação diminuem a capacidade natural de resfriamento da cidade.

O asfalto e o concreto absorvem grande quantidade de radiação solar durante o dia e liberam parte desse calor posteriormente. Já a impermeabilização do solo reduz a presença de água disponível para a evaporação, mecanismo que ajuda a diminuir as temperaturas.

Outro fator apontado por especialistas é a redução da circulação de ar. A ocupação urbana e a concentração de construções podem criar barreiras que dificultam a passagem das brisas úmidas vindas dos rios Negro e Amazonas.

Para a meteorologista Luciana Gatti, a baixa arborização torna as cidades mais vulneráveis aos eventos extremos de calor. A especialista defende que o aumento das áreas verdes deve fazer parte das estratégias para enfrentar temperaturas cada vez mais elevadas.

Com a combinação entre o período mais quente do ano, a estiagem, a atuação do El Niño e as características da urbanização, Manaus começa setembro sob uma sequência de recordes de temperatura. A tendência reforça o alerta para os impactos do calor intenso sobre a população, principalmente em períodos prolongados de altas temperaturas.

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