Política e Economia

Foto: Divulgação/Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira
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Relatos apontam circulação de grupos supostamente colombianos, ameaças a moradores, invasão de roças e até retenção de uma liderança indígena; MPF abriu inquérito para apurar os fatos

Denúncias sobre a presença de homens armados, supostamente de origem colombiana, em áreas indígenas próximas à fronteira com a Colômbia levaram a Defensoria Pública da União (DPU) a cobrar providências urgentes do governo federal para reforçar a segurança de comunidades do Alto Rio Negro, no Amazonas.

Os relatos envolvem regiões do Alto Tiquié e do Baixo Uaupés, em São Gabriel da Cachoeira, no interior do estado. Segundo as denúncias encaminhadas às autoridades, grupos armados estariam circulando por terras indígenas e intimidando moradores.

Diante da gravidade dos relatos, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar uma possível incursão e permanência desses grupos em território brasileiro. A apuração começou após o órgão receber um ofício da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).

Entre as localidades citadas no documento estão Rio Castanho, Comunidade São Felipe, Morro do Beija-Flor, Cachoeira Comprida e a região da Comunidade Cunurí.

Ameaças e restrições

As denúncias relatam situações que podem ter afetado diretamente a rotina das comunidades. Entre os fatos apontados estão invasões de roças utilizadas para subsistência, ameaças com armas de fogo, coação de moradores e restrições ao acesso e ao trabalho agrícola.

O documento encaminhado ao MPF também registra a denúncia de que uma liderança indígena da comunidade Cunurí teria sido retida e obrigada a servir de guia para os homens armados. O caso ainda está sendo investigado e não há confirmação oficial sobre a identidade ou a nacionalidade dos envolvidos.

Por se tratar de uma região de fronteira entre Brasil e Colômbia, o MPF determinou que órgãos de segurança e defesa reforçassem o patrulhamento e a fiscalização nas áreas mencionadas.

Órgãos foram acionados

A recomendação foi encaminhada aos comandos do Exército, da Marinha e da Força Aérea Brasileira, além da Superintendência da Polícia Federal no Amazonas. Os órgãos foram solicitados a informar quais medidas foram adotadas para garantir a segurança das comunidades e a proteção do território brasileiro.

O pedido consta na Portaria nº 16, de 17 de agosto de 2026, que formalizou a abertura do inquérito civil. O prazo estabelecido para que os órgãos apresentassem informações sobre as providências adotadas foi de 48 horas.

A Defensoria Pública da União também acionou o governo federal. O órgão informou que solicitou medidas de proteção para as comunidades indígenas diante dos relatos de presença de homens armados na região.

Por questões de segurança, a DPU não divulgou a identificação das comunidades envolvidas nem detalhes adicionais das denúncias.

Até esta terça-feira, 1º de setembro, segundo a Defensoria, não havia sido recebida resposta do governo federal sobre as providências adotadas após o encaminhamento do ofício.

A investigação deverá esclarecer a origem dos grupos, se houve efetivamente incursão em território indígena brasileiro e quais foram as circunstâncias envolvendo as denúncias de ameaças, coação e restrição à circulação dos moradores.

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