A qualidade do ar melhorou na manhã desta quinta-feira (15), após uma semana de poluição intensa, mas ainda há áreas com níveis ruins; queimadas no Amazonas e em estados vizinhos continuam contribuindo para a fumaça.
A fumaça das queimadas perdeu intensidade em Manaus e a capital amazonense deixou a liderança do ranking das cidades com pior qualidade do ar no Brasil, segundo a plataforma internacional IQAir. Por volta das 6h desta quinta-feira (15), o índice era de 85, classificado como moderado. Porto Velho (RO) ocupava a primeira posição, com índice de 101.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também indicaram melhora. Na maior parte de Manaus, a qualidade do ar estava na categoria moderada, mas dois bairros ainda registravam condições ruins.
O bairro Tarumã, na Zona Oeste, apresentou a menor concentração de partículas entre os locais citados, com 27 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Já o Morro da Liberdade, na Zona Sul, registrou 54 µg/m³.
Pelo sistema Selva, a qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas fica entre zero e 25 µg/m³. Acima desse limite, a classificação varia conforme o nível de poluição.
Fumaça suspende atividades esportivas
Na quarta-feira (14), a Secretaria de Estado do Desporto e Lazer (Sedel) suspendeu temporariamente atividades esportivas ao ar livre na Vila Olímpica de Manaus para proteger a saúde dos participantes.
A medida atingiu os programas Vila Aberta para Todos, + RespirAR, + Futevôlei e Esporte e Lazer na Capital e Interior (+Pelci), além das aulas de corrida e natação para adultos. A suspensão vale para as atividades realizadas ao ar livre na capital.
Ventos transportam fumaça de outros estados
A fumaça que encobriu Manaus durante a última semana está relacionada às queimadas em municípios do interior do Amazonas e em estados vizinhos, como Rondônia, Pará e o norte de Mato Grosso.
Segundo o meteorologista Leonardo Vergasta, as partículas liberadas pelo fogo são pequenas e leves, o que permite que permaneçam suspensas na atmosfera por vários dias e sejam transportadas pelo vento.
“A fumaça é feita de partículas muito pequenas e leves, que ficam suspensas no ar por dias e se movem junto com o vento, quase como folhas levadas por um rio invisível”, explicou.
Nesta época do ano, os ventos predominantes de leste e nordeste favorecem o transporte dos poluentes de áreas com queimadas para a capital. A escassez de chuva durante a estiagem também dificulta a dispersão da fumaça.
“Por isso, uma cidade pode ficar coberta de fumaça mesmo sem muitos focos por perto: ela recebe a fumaça emitida em outras áreas, somada à que é produzida localmente”, afirmou Vergasta.
Queimadas aumentam no Amazonas
A melhora registrada em Manaus ocorre em meio ao avanço dos incêndios no estado. Nos primeiros 14 dias de outubro, o Amazonas contabilizou cerca de 1,6 mil focos de queimadas, um aumento superior a 270% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 473 focos.
Os dados são do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Diante do cenário, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) notificou previamente 725 propriedades rurais sobre o alto risco de propagação do fogo. As equipes fiscalizam os locais para verificar o cumprimento das medidas de prevenção. Parte dos responsáveis já foi autuada.
A força-tarefa federal concentra as ações em municípios como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara, apontados como áreas críticas. As queimadas nessas regiões também contribuem para a fumaça que chega a Manaus.
Na terça-feira (13), o Ibama informou que havia extinguido 292 incêndios no Amazonas entre junho e outubro. Na ocasião, outros oito focos continuavam ativos. A operação contava com 11 aeronaves, entre aviões de combate ao fogo, helicópteros e aeronaves de apoio logístico.



