Mais de 4 mil produtores foram impactados na zona rural de Iranduba; Governo intensifica ações emergenciais nos 42 municípios em situação de emergência
A cheia do Rio Solimões, que começou em outubro de 2024, provocou uma elevação de quase 18 metros no nível da água e afetou severamente a rotina de comunidades na zona rural de Iranduba, Região Metropolitana de Manaus. Agricultores perderam lavouras inteiras, estruturas foram destruídas e a pesca foi prejudicada, em uma das enchentes mais intensas registradas nos últimos anos.
Segundo o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam), cerca de 4 mil famílias de produtores rurais foram diretamente atingidas. Cristiano Nogueira, um dos agricultores afetados, teve a estrutura de produção de farinha submersa e perdeu a plantação de bananeiras e feijão de corda. “Tudo que a gente planta aqui vai pro fundo”, lamentou.
A enchente também surpreendeu outros produtores, como Adalberto Sampaio, que perdeu uma lavoura de pepino estimada em oito toneladas. A pescadora Euci Ferreira agora carrega capim até os animais por falta de pasto, enquanto Raimundo Silva relatou o aparecimento de aranhas em sua casa tomada pela água.
Além dos danos na produção rural, 444 alunos em quatro municípios (Anamã, Itacoatiara, Novo Aripuanã e Uarini) foram afetados e seguem com ensino remoto pelo programa “Aula em Casa”, segundo a Secretaria de Educação (Seduc).
O Governo do Amazonas anunciou medidas emergenciais como anistia de dívidas rurais, envio de 580 toneladas de cestas básicas, distribuição de água potável, medicamentos e instalação de uma usina de oxigênio em Manicoré. Ao todo, 42 municípios estão em situação de emergência, e outros 13 seguem em estado de alerta.
A previsão é de que as águas comecem a baixar nas próximas semanas, mas os efeitos da enchente continuarão a impactar as comunidades, exigindo reforço na assistência pública e apoio à reconstrução das atividades produtivas.



