Ciência e Tecnologia

Foto: André Ribeiro/Agência Petrobras
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Avaliação Pré-Operacional será realizada em 24 de agosto e pode destravar licença para perfuração em área estratégica da Margem Equatorial

A Petrobras e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) chegaram a um acordo para realizar, no próximo dia 24 de agosto, a Avaliação Pré-Operacional (APO) na bacia da Foz do Rio Amazonas, localizada na Margem Equatorial. O anúncio foi feito pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e pelo senador Randolfe Rodrigues, ambos representantes do estado do Amapá.

A APO é uma etapa técnica que consiste em simulações e vistorias para testar a eficácia do plano de emergência da Petrobras. Trata-se da última fase antes da possível concessão da licença ambiental para exploração de petróleo na região — considerada uma nova fronteira energética tão promissora quanto o pré-sal. O teste deve durar entre três e quatro dias e será acompanhado por equipes técnicas do Ibama e da estatal.

O bloco FZA-M-59, alvo da operação, está situado a cerca de 170 quilômetros da costa do município de Oiapoque (AP). Segundo o senador Randolfe Rodrigues, um navio-sonda da Petrobras já se encontra no litoral norte, a caminho do ponto de perfuração.

Interesse internacional e impasse ambiental

A Margem Equatorial, que se estende do Rio Grande do Norte ao Amapá, tem atraído atenção global após descobertas de petróleo nas costas da Guiana, Guiana Francesa e Suriname. No Brasil, a Petrobras já possui autorização para perfurar dois poços na costa potiguar, mas ainda aguarda liberação para outras áreas, como a da Foz do Amazonas.

Em maio de 2023, o Ibama negou a licença para exploração do bloco FZA-M-59, alegando necessidade de mais estudos. A Petrobras entrou com pedido de reconsideração e, desde então, aguarda uma decisão. Segundo a estatal, a demora no processo custa cerca de R$ 4 milhões por dia.

Pressões políticas e preocupações ambientais

A iniciativa tem gerado intenso debate. Enquanto lideranças políticas como Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendem a liberação da exploração, ambientalistas alertam para os riscos ecológicos e os impactos na transição energética. A Petrobras afirma que seguirá padrões rigorosos de segurança e destaca que o ponto de perfuração está a 540 km da foz do Rio Amazonas.

Na semana passada, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) recomendou a realização de estudos adicionais antes da perfuração. O Ibama informou que todas as decisões relacionadas à APO serão registradas no processo de licenciamento ambiental. Até o fechamento desta edição, a Petrobras não se pronunciou oficialmente sobre o acordo.

A realização da APO pode representar um marco decisivo para o futuro da exploração petrolífera na Margem Equatorial, colocando em xeque o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

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