Peças confeccionadas com fibras naturais do Alto Rio Negro foram usadas pela cantora durante visita à aldeia Piaraçu, no Xingu, em gravação do Domingão do Huck
A cantora Anitta vestiu roupas confeccionadas por artesãos indígenas do Amazonas durante visita à aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto-Jarina, no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso. O momento, registrado no último domingo (17), fez parte das gravações de um especial para o programa Domingão do Huck e foi celebrado pelo estilista indígena Sioudhi, da etnia Piratapuya, um dos responsáveis pela criação das peças.
O figurino utilizado por Anitta foi produzido com fios de tucum — fibra tradicionalmente usada na confecção de objetos e roupas — e novelo de ovos de cobra, material raro e simbólico para a cultura local. A peça nasceu de uma parceria de Sioudhi com mulheres da Ínaru Éyawa, marca de moda indígena que atua na produção de bolsas e acessórios.
“Toda forma de apoio à nossa luta é importante”, disse o estilista em publicação nas redes sociais. Ele destacou ainda a importância de dar visibilidade ao trabalho coletivo das comunidades indígenas do Alto Rio Negro e prestou homenagem ao cacique Raoni e ao povo do Xingu pela continuidade do ritual do Kuarup, uma das mais antigas tradições da região.
Além de Anitta, o apresentador Luciano Huck também participou do encontro, que incluiu a presença do cacique Raoni, um dos líderes indígenas mais reconhecidos do mundo. Na ocasião, Raoni autografou o livro sobre suas memórias e entregou a Luciano. Entre os temas discutidos estiveram os direitos indígenas e a Conferência do Clima (COP 30), que será realizada este ano em Belém (PA).
Nas redes sociais, Huck destacou a experiência de ter acompanhado o Kuarup, considerado o ritual mais importante dos povos do Xingu. “Mais do que uma homenagem aos mortos, é uma celebração da vida, da ancestralidade e da conexão profunda com a floresta. Para os povos indígenas, preservar a Amazônia é preservar a vida”, escreveu.



