Ciência e Tecnologia

Foto: Michell Mello/Fiocruz Amazônia
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Levantamento revela presença de resíduos em toda a região e aponta riscos à saúde de populações ribeirinhas e indígenas

Um estudo inédito da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá revelou que a contaminação por plásticos já afeta rios, florestas, animais, plantas, sedimentos e a água em toda a Amazônia. A pesquisa, publicada na revista científica AMBIO, analisou 52 estudos revisados por especialistas e alerta para os riscos à saúde de populações vulneráveis, como ribeirinhos e indígenas.

🌍 Impacto ambiental e social

Segundo os pesquisadores, a poluição plástica na Amazônia é subestimada e pouco estudada, apesar de o bioma abrigar a maior bacia hidrográfica do mundo e o segundo rio mais poluído por plástico. Os resíduos — que incluem garrafas PET, embalagens e microplásticos — são descartados por moradores, embarcações e até pelas próprias comunidades, podendo viajar por rios e alcançar os oceanos.

“Antes, o lixo era orgânico. Hoje, vemos embalagens de macarrão boiando nos rios”, relatam pesquisadores do Instituto Mamirauá, que acompanham a realidade das comunidades em Tefé.

⚠️ Riscos à saúde e à biodiversidade

O epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz Amazônia, destaca que o estudo foi motivado pela urgência de enfrentar o problema, especialmente com a proximidade da COP30, que será realizada na região.

“O impacto é bem maior do que se imagina. A contaminação de alimentos e da água ameaça a saúde de populações tradicionais”, afirma.

A bióloga Jéssica Melo, autora principal do artigo, reforça que faltam pesquisas sobre nanoplásticos, fauna não piscícola e áreas remotas.

“É urgente investir em gestão de resíduos e educação ambiental”, diz.

🏛️ Falta de políticas públicas

O estudo também aponta a ausência de coleta seletiva e políticas de redução de plástico nos municípios do interior do Amazonas.

“Enquanto cidades como Rio de Janeiro e Salvador proíbem canudos e isopor, não há ações concretas na Amazônia profunda”, alerta Orellana.

O artigo “Plastic pollution in the Amazon: the first comprehensive and structured scoping review” é o primeiro a aplicar o protocolo PRISMA-ScR para avaliar a poluição plástica nos ecossistemas amazônicos.

Você pode acessar o estudo completo no Portal da Fiocruz.

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