Aumentos entre 7% e 12% em 2026 reacendem debate sobre custos, transparência e qualidade do ensino privado
Janeiro mal começou e muitas famílias já precisaram refazer as contas. Entre material escolar, despesas fixas e gastos típicos do início do ano, a mensalidade escolar voltou a pesar no orçamento doméstico. Em 2026, o reajuste aplicado por escolas particulares no Amazonas trouxe impacto direto para pais e responsáveis e reacendeu a discussão sobre custo, qualidade e acesso à educação.
Levantamentos indicam que a maioria das instituições aplicou aumentos dentro da prática anual prevista em lei, com percentuais médios entre 7% e 12%, variando conforme o nível de ensino e a estrutura oferecida. Escolas de educação infantil e ensino fundamental registraram reajustes próximos da média, enquanto unidades que oferecem atividades extracurriculares, recursos tecnológicos e serviços adicionais aplicaram percentuais mais elevados.
Entre os principais fatores apontados pelas escolas estão a inflação, a correção salarial de professores e funcionários, custos de manutenção, aquisição de materiais didáticos, investimentos em tecnologia, segurança e adequações estruturais exigidas ao longo do ano letivo.
Impacto no planejamento familiar
A dona de casa Bia Souza sentiu o peso do reajuste logo no início do ano. Segundo ela, o aumento da mensalidade coincidiu com a mudança de série do filho em 2026, o que comprometeu o planejamento financeiro da família.
“O reajuste foi significativo e pegou a gente de surpresa. Não houve desconto e a rematrícula precisou ser paga à vista. Também não fomos informados claramente sobre quais melhorias seriam feitas”, relatou.
Apesar disso, Bia reconhece que a escola já possui boa estrutura e ensino de qualidade. “A instituição passou recentemente por uma reforma e diz ter metas para alcançar um padrão ainda mais elevado”, acrescenta.
O que diz o Procon-AM
O Procon-AM esclarece que não existe um percentual máximo definido em lei para o reajuste das mensalidades escolares. No entanto, os aumentos não podem ser arbitrários.
“O reajuste deve ser justificado com base na variação dos custos da instituição, geralmente seguindo um índice oficial de inflação. Atualmente, a média nacional gira em torno de 9,8%”, destaca o órgão.
O Procon alerta ainda para práticas abusivas, como cobrança de taxas indevidas, venda casada de material escolar e alterações unilaterais no contrato.
“A escola deve apresentar de forma clara e transparente a justificativa do reajuste, inclusive a planilha de custos, quando solicitada pelo responsável”, reforça.
Caso não concordem com o aumento, pais e responsáveis podem optar por não permanecer na instituição ou registrar denúncia junto aos órgãos de defesa do consumidor.



