Política e Economia

Foto: Agência Brasil
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Reajuste anual e custos logísticos elevam impacto para quem depende de remédios de uso contínuo

O início de 2026 trouxe preocupação para consumidores amazonenses que dependem de medicamentos de uso contínuo. Com a proximidade do reajuste anual autorizado pelo governo federal, os preços voltaram ao centro do debate, sobretudo no Amazonas, onde os custos logísticos tornam os produtos essenciais mais caros em comparação a outras regiões do país.

O percentual máximo de reajuste de medicamentos no Brasil é definido anualmente pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A decisão leva em conta a inflação oficial, além de fatores como custos de produção, concorrência e produtividade da indústria farmacêutica.

Consumidores já sentem impacto

No Amazonas, consumidores relatam que alguns medicamentos já apresentaram aumentos graduais ainda no segundo semestre de 2025, antes mesmo da aplicação formal do novo teto de reajuste. A enfermeira Thais Lima, que faz uso contínuo de suplementos e medicamentos, afirma ter percebido a elevação dos preços nos últimos meses.

Segundo ela, um suplemento de cálcio comprado regularmente passou de R$ 116,99 para R$ 134,99. “Ao longo dos meses, pude perceber que alguns medicamentos tiveram aumento, e isso afeta o orçamento por causa da mudança repentina dos valores”, relata. Apesar do impacto financeiro, ela afirma que não deixou de adquirir os produtos por necessidade e passou a optar por versões genéricas, que considera mais acessíveis.

Custos de produção e logística influenciam

De acordo com o farmacêutico Saulo Breves, os aumentos observados desde 2025 são resultado de uma combinação de fatores. “Mesmo com o reajuste autorizado pela CMED de 3,8% em 2025, custos como produção, logística e variação cambial impactam o preço final”, explica.

Segundo ele, no Amazonas o cenário é agravado pelas características do transporte. “Grande parte da distribuição depende de transporte fluvial ou aéreo, o que eleva significativamente o custo para o consumidor final”, afirma. Medicamentos como Buclina, Pyridium, Cefalexina e Tecnomet estão entre os que registraram aumentos mais perceptíveis no estado, embora a variação não seja uniforme.

Medicamentos contínuos lideram reclamações

O Conselho Regional de Farmácia do Amazonas (CRF-AM) destaca que os medicamentos de uso contínuo são os que mais geram reclamações, especialmente os voltados ao tratamento de hipertensão, diabetes, colesterol e distúrbios da tireoide.

“São medicamentos que fazem parte da rotina das pessoas, então qualquer aumento é sentido imediatamente no bolso”, ressalta o conselho. A entidade reforça que a substituição por genéricos tem sido uma das principais estratégias para reduzir custos, já que esses produtos passam pelos mesmos critérios de qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos de referência.

Além disso, o CRF-AM aponta que problemas na cadeia de abastecimento — como dificuldades de reposição, aumento no custo de matérias-primas e logística — também contribuem para a elevação dos preços, ampliando o impacto sobre os consumidores amazonenses no início de 2026.

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