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Foto: Divulgação / Linkedin Amcham
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A cem dias do evento, países pedem mudança de sede por inviabilidade financeira; governo propõe navios e imóveis do Minha Casa Minha Vida como alternativa

A cem dias da abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), o governo brasileiro enfrenta pressão de delegações estrangeiras por conta dos altos custos de hospedagem em Belém, cidade-sede do evento. A crise levou países a solicitarem, formalmente, a mudança de local da conferência.

A informação foi confirmada pelo embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, nesta quinta-feira (31), durante encontro promovido pela Associação de Correspondentes Estrangeiros (AIE) com o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP). “Representantes de regiões pediram para tirar a COP de Belém. Isso aconteceu em uma reunião anteontem”, revelou. “Acredito que talvez os hotéis não estejam se dando conta da crise que estão provocando.”

Em alguns casos, as diárias chegam a ultrapassar US$ 2 mil. A situação tem gerado apreensão sobre a participação de países em desenvolvimento e de organizações da sociedade civil, o que comprometeria a diversidade e a equidade dos debates multilaterais. Representações da Europa, África, Oceania e de ONGs já anunciaram que devem reduzir suas comitivas.

Na última terça-feira (29), uma reunião extraordinária entre o Escritório de Mudança do Clima da ONU (UNFCCC), o governo federal e o governador do Pará, Helder Barbalho, tratou do tema. Um novo encontro está marcado para o dia 11 de agosto. Segundo Richard Muyungi, presidente do Grupo Africano de Negociadores, o Brasil prometeu apresentar um plano de acomodação viável até lá. “O Brasil tem muitas opções para realizar uma boa COP”, afirmou.

Soluções emergenciais
Diante das críticas, o governo federal anunciou alternativas. Entre elas, o uso de dois navios de cruzeiro — MSC Seaview e Costa Diadema — com capacidade total para 6 mil pessoas. A operação tem garantia contratual de R$ 259 milhões, que poderão ser acionados caso haja baixa ocupação.

Outra medida em estudo é a utilização de unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida, ainda em construção, como alojamento temporário. Também está previsto que a Polícia Rodoviária Federal acomode seus agentes em salas de aula.

Atualmente, há cerca de 2.500 quartos disponíveis, com diárias fixadas entre US$ 100 e US$ 600, segundo a Secretaria Extraordinária da COP30 (Secop). A divisão contempla 15 quartos por delegação para os 73 países classificados como Países Menos Desenvolvidos (LDCs) e Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEIDs), com tarifas entre US$ 100 e US$ 200. Os demais países terão direito a 10 quartos, com diárias entre US$ 220 e US$ 600.

Desde fevereiro, o governo brasileiro prometia lançar uma plataforma oficial de hospedagem — o que ainda não ocorreu. A última previsão, para o fim de junho, também não foi cumprida. O atraso agravou o cenário e provocou críticas durante a conferência climática realizada em Bonn, na Alemanha, em junho.

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