Ciência e Tecnologia

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Apuí e Lábrea estão entre os municípios mais ameaçados, aponta plataforma PrevisIA

O Amazonas aparece entre os estados mais ameaçados pelo desmatamento na Amazônia em 2026. De acordo com dados da plataforma de inteligência artificial PrevisIA, 1.000 km² do território amazonense estão sob risco de devastação, o que representa 18% de toda a área ameaçada na região amazônica.

No estado, a situação é mais crítica no sul do Amazonas, especialmente em municípios que integram a região conhecida como Amacro — fronteira agrícola formada pelo encontro do Amazonas, Acre e Rondônia. Dois municípios amazonenses aparecem entre os 10 mais ameaçados de toda a Amazônia:

  • Apuí – 4º lugar
  • Lábrea – 6º lugar

Avanço da fronteira agrícola

A região da Amacro é apontada por especialistas como um dos principais vetores do avanço do desmatamento. Levantamento do Greenpeace identificou 27 planos de manejo florestal responsáveis pela derrubada de extensas áreas de floresta na junção dos três estados. Segundo o estudo, 16 desses planos estavam localizados dentro de terras públicas federais.

No cenário geral da Amazônia, a PrevisIA estima que 1.686 km² estarão sob risco muito alto ou alto em 2026, o equivalente a 31% do total. Outros 1.056 km² (20%) aparecem em risco moderado, enquanto 2.759 km² (50%) estão classificados como risco baixo ou muito baixo.

Estradas concentram a pressão

No Amazonas, o desmatamento tende a se concentrar em áreas de expansão agrícola e próximas a estradas. Desde 2020, cerca de 95% da devastação ocorre a até 5,5 quilômetros de uma via de acesso, o que evidencia a relação direta entre infraestrutura viária e perda florestal.

“A análise estadual é fundamental para que os órgãos competentes possam atuar em defesa da floresta. No caso do Amazonas, os municípios de Apuí e Lábrea são estratégicos para conter o avanço da devastação”, afirma Alexandra Alves, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia.

Terras indígenas e unidades de conservação ameaçadas

Além dos municípios, o levantamento mostra que o risco também avança sobre áreas protegidas. No Amazonas, 357 km² de terras indígenas e 598 km² de unidades de conservação estaduais aparecem entre as áreas mais ameaçadas, reforçando a necessidade de atuação integrada entre governos e órgãos ambientais.

O que é a PrevisIA

Lançada em 2021 pelo Imazon, em parceria com a Microsoft e o Fundo Vale, a PrevisIA utiliza inteligência artificial para identificar áreas sob risco de desmatamento na Amazônia e subsidiar ações preventivas.

A metodologia cruza variáveis como presença de estradas legais e ilegais, desmatamento anterior, tipo de território, proximidade de áreas protegidas, rios, topografia, infraestrutura urbana e dados socioeconômicos.

“A ferramenta também possibilita análises municipais, favorecendo a adoção de políticas públicas pelas secretarias de meio ambiente e demais órgãos ligados às prefeituras na proteção da floresta”, explica Alexandra Alves.

O alerta reforça que, sem ações rápidas e coordenadas, o Amazonas pode voltar a registrar avanços expressivos do desmatamento, inclusive em áreas legalmente protegidas.

Você também pode gostar

Editorias