Trânsito e Transporte

Foto: Agência Brasil
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Entrega sobre o rio Autaz Mirim contrasta com bloqueio temporário no Igarapé Bandeirão e expõe fragilidade da rodovia

A BR-319, principal ligação terrestre entre Manaus e o restante do país, vive um momento que resume suas contradições: enquanto o governo federal celebra a entrega de uma nova ponte sobre o rio Autaz Mirim, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) anunciou a interdição temporária de outra travessia na mesma rodovia.

Interdição no trecho central

A ponte de madeira sobre o Igarapé Bandeirão, no km 263,24, próximo a Manicoré, será interditada entre terça-feira (28) e sexta-feira (1º de maio), sempre das 7h às 11h30.

Durante esse período, o tráfego ficará totalmente suspenso para serviços de manutenção na estrutura. O DNIT orienta motoristas a planejarem os deslocamentos e acompanharem atualizações oficiais.

A medida evidencia a dependência da rodovia de intervenções constantes, especialmente em pontes antigas ainda não substituídas.

Nova ponte encerra gargalo histórico

Em contraste, no último sábado (25), foi liberado o tráfego na nova ponte sobre o rio Autaz Mirim, no Careiro da Várzea.

A estrutura substitui a antiga travessia que desabou em 2022 e possui:

  • 245 metros de extensão
  • 11 metros de largura
  • Investimento de cerca de R$ 74,75 milhões

Com a entrega, foi eliminada a necessidade de travessia por balsa, melhorando a fluidez no corredor entre Manaus e Porto Velho.

Rodovia ainda opera no “modo manutenção”

Apesar do avanço, a BR-319 segue longe de uma condição plena de trafegabilidade.

Somente neste ano, o DNIT já realizou interdições semelhantes em outras pontes de madeira, como nos igarapés:

  • Fortaleza
  • Realidade
  • Virtude

Na prática, a rodovia avança em obras estruturais, mas ainda depende de reparos frequentes para continuar operando.

Pressão ambiental e disputa judicial

O cenário também envolve debate ambiental. O Observatório do Clima entrou na Justiça para tentar suspender os editais de pavimentação do chamado “trecho do meio” da rodovia, alegando necessidade de licenciamento ambiental completo.

A ação adiciona mais um capítulo à disputa entre desenvolvimento logístico e preservação ambiental na Amazônia.

Histórico de colapsos e improvisos

A antiga ponte do Autaz Mirim desabou em outubro de 2022, poucos dias após o colapso da ponte sobre o rio Curuçá — episódio que deixou vítimas e expôs a precariedade da BR-319.

Desde então, a estrada passou a conviver com soluções provisórias, como balsas e manutenções emergenciais frequentes.

Um corredor estratégico, mas instável

Com 885 quilômetros de extensão, a BR-319 é considerada estratégica por ser a única ligação rodoviária entre Amazonas e Rondônia.

Ainda assim, décadas de abandono transformaram a rodovia em um corredor marcado por:

  • Pontes frágeis
  • Interrupções sazonais
  • Trechos críticos de difícil acesso
  • Gargalos logísticos

O cenário atual mostra que, apesar de avanços pontuais, a rodovia continua dividida entre obras estruturantes e a necessidade constante de remendos — realidade que ainda impõe desafios a moradores, transportadores e produtores da região.

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