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Foto: Arquivo AC
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Período que costuma ser de calor intenso e tempo seco já registra volumes elevados de precipitação em Manaus e no interior; neutralidade climática e frentes frias explicam o fenômeno

As chuvas têm surpreendido os amazonenses acostumados com o calor intenso e o tempo seco nesta época do ano. Diferente dos anos anteriores, os meses de agosto, setembro e outubro — tradicionalmente os mais quentes e secos da região — estão registrando volumes de chuva acima da média, tanto em Manaus quanto nos municípios do interior.

De acordo com o meteorologista Leonardo Vergasta, do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (LabClim/UEA), o esperado para o mês de outubro em Manaus era cerca de 114 milímetros de chuva. No entanto, até o dia 10 deste mês, já haviam sido registrados 129 milímetros, o que representa 15 milímetros acima da média histórica.

Segundo Vergasta, não foi apenas outubro que apresentou anomalias: junho, julho, agosto e setembro também registraram chuvas acima da média neste ano. Ele explica que o principal motivo é a neutralidade climática, diferente dos dois anos anteriores, marcados pela influência de fenômenos oceânicos.

“Em 2023, tivemos o El Niño e, em 2024, um aquecimento anômalo no Atlântico Norte. Ambos inibiram as chuvas na Amazônia, causando a forte estiagem do ano passado. Já neste ano, estamos sem El Niño ou La Niña. O padrão no Pacífico é de neutralidade, com tendência a um leve resfriamento, o que favorece o aumento das chuvas”, explicou o meteorologista.

Fator oceanos

Vergasta destaca que os oceanos Pacífico e Atlântico são os principais responsáveis por modular o regime de chuvas na Amazônia. As precipitações acima da média, em um período que normalmente é de tempo seco e quente, resultam das condições oceânicas e atmosféricas que atuam sobre a região.

Outro ponto importante é que o Atlântico Norte não apresentou aquecimento significativo em relação à porção sul. Isso tem mantido um fluxo de umidade mais intenso, que entra pela região do Amapá e norte do Pará, espalhando-se por toda a Amazônia.

“Esse aumento do fluxo de umidade acaba intensificando a convecção — aquelas nuvens de grande desenvolvimento vertical, chamadas cumulonimbos — e provocando chuvas em pontos isolados, como vem ocorrendo em Manaus”, detalhou Vergasta.

Outro fator que também contribuiu foi a passagem de frentes frias pelo sul da Amazônia.

“Quando essas frentes frias avançam, elas ativam a convecção sobre nossa região, deixando as chuvas levemente acima da média”, completou.

Com isso, 2025 tem sido um ano atípico para o chamado ‘verão amazônico’, período em que o sol intenso e o tempo seco costumam predominar. Por outro lado, as chuvas já vêm marcando presença antes mesmo do início oficial da estação chuvosa, que normalmente começa entre novembro e dezembro.

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