Pesquisa brasileira mostra que substâncias presentes nas esponjas têm ação eficaz contra parasitas da malária e podem inspirar novos tratamentos
Pesquisadores brasileiros descobriram compostos químicos presentes em esponjas marinhas com grande potencial para combater o parasita causador da malária, incluindo cepas resistentes a antimaláricos convencionais. Os compostos, batizados de batzelladinas F e L, demonstraram eficácia rápida contra os protozoários Plasmodium falciparum e Plasmodium vivax, responsáveis pela malária, sendo a primeira mais letal e predominante na África e a segunda a principal causa de malária na América do Sul.
Os testes realizados com amostras de sangue de pacientes e em camundongos infectados comprovaram a ação promissora das batzelladinas. “Embora os compostos não tenham eliminado por completo os protozoários, eles podem servir de inspiração para o desenvolvimento de novas substâncias com ação potencializada”, afirmou Rafael Guido, coautor do estudo e professor da Universidade de São Paulo (USP).
A pesquisa envolveu uma equipe multidisciplinar das universidades USP, Museu Nacional, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Centro de Pesquisa de Medicina Tropical de Roraima, com apoio da FAPESP, CNPq e Capes.
Além da malária, as substâncias extraídas das esponjas marinhas também mostraram potencial contra outras doenças parasitárias, como leishmaniose e Chagas. A descoberta destaca ainda a importância da biodiversidade brasileira, que está em risco devido às mudanças climáticas, com alerta de que esponjas marinhas, como a Monanchora arbuscula, que habitam ambientes ameaçados pelo aquecimento dos oceanos, podem desaparecer.
A pesquisa também ressaltou a rapidez de ação das batzelladinas, o que pode ser crucial para evitar o desenvolvimento de resistência pelos parasitas. “Moleculas que matam o parasita de forma rápida reduzem a chance de adaptação e resistência”, explicou Giovana Rossi Mendes, do IFSC-USP, responsável pelos testes com as amostras de sangue e camundongos.
A descoberta oferece uma nova esperança no combate à malária e reforça o valor da biodiversidade marinha para o avanço da medicina.



