Maternidade Dr. Moura Tapajóz, na zona Oeste da capital, tem apenas seis doadoras ativas e alerta para risco de racionamento do alimento destinado a bebês internados na UTI neonatal
A Maternidade Dr. Moura Tapajóz (MMT), em Manaus, reforçou nesta semana o apelo para que mulheres em fase de amamentação doem leite materno. Durante o Agosto Dourado, campanha de incentivo ao aleitamento materno, a unidade conta com apenas seis doadoras ativas, número considerado insuficiente para atender a demanda de recém-nascidos internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Caso o cenário não mude, o leite poderá começar a ser racionado.
Atualmente, o posto de coleta da maternidade encaminha, em média, 5,5 litros de leite por semana para pasteurização. No mesmo período do ano passado, eram 14 doadoras, responsáveis pelo envio de aproximadamente 10 litros semanais, o que representa uma redução de quase 45% no volume arrecadado.
Segundo a diretora da maternidade, a enfermeira obstetra Núbia Cruz, qualquer mulher saudável que esteja amamentando pode se tornar doadora, independentemente de onde tenha dado à luz.
“Queremos mobilizar toda a população para que se sensibilize com nossa situação. Apelamos às mães que produzem leite excedente para que entrem em contato conosco. Quem não puder doar pode ajudar divulgando essa informação entre familiares e amigos”, afirmou.
Como doar leite materno
A maternidade oferece coleta domiciliar, evitando que as mães precisem sair de casa. O serviço é realizado em dias e horários agendados por uma equipe especializada.
As interessadas podem entrar em contato pelo WhatsApp (92) 98842-8514, de segunda a sexta-feira, em horário comercial. Também é possível entregar o leite diretamente na unidade, localizada na avenida Brasil, bairro Compensa, zona Oeste de Manaus, diariamente, das 8h às 17h.
As doadoras recebem orientações da equipe de saúde e, quando necessário, são encaminhadas gratuitamente para a realização dos exames exigidos. Além disso, o posto fornece frascos esterilizados para armazenamento do leite e realiza a troca dos recipientes durante a coleta.
A maternidade também pede a doação de frascos de vidro com tampa plástica rosqueável, como os de café solúvel de até 200 ml. Os recipientes são esterilizados e utilizados para armazenar o leite humano de forma segura.
Todo o leite arrecadado passa por análise, pasteurização e rigoroso controle de qualidade antes de ser destinado aos recém-nascidos, seguindo as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O alimento é essencial para bebês prematuros e de baixo peso, contribuindo para fortalecer a imunidade, reduzir infecções e favorecer a recuperação clínica.
Agosto Dourado reforça importância da amamentação
Como parte da programação do Agosto Dourado, a maternidade promove nesta quarta-feira (5), às 9h, o 1º Encontro de Doadoras do Posto de Coleta de Leite Humano. A atividade reunirá mães voluntárias para um café da manhã em reconhecimento ao gesto de solidariedade e para fortalecer os vínculos entre as doadoras e a equipe da unidade.
Segundo a enfermeira Lílian Aguiar, responsável pelo posto de coleta, a iniciativa busca valorizar as mulheres que ajudam a salvar vidas por meio da doação.
“Esse encontro foi pensado com muito carinho como uma forma de acolhimento e valorização das mães que participam desse serviço e que são responsáveis por salvar tantas vidas”, destacou.
O Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e sua continuidade, de forma complementar à alimentação, até pelo menos os dois anos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o aumento das taxas de amamentação exclusiva contribui para salvar cerca de seis milhões de vidas por ano em todo o mundo.



