Seca já afetou 113,9 mil famílias no estado, enquanto queimadas ultrapassam 3 mil focos em 2026 e comprometem a qualidade do ar em Manaus
O Amazonas chegou a 46 municípios em situação de emergência por causa da estiagem, segundo dados da Defesa Civil estadual. O período de seca já afetou 113,9 mil famílias, e nenhum município está em situação de normalidade diante dos impactos climáticos. Em Manaus, o Rio Negro atingiu a cota de 16,90 metros, e a previsão das autoridades é de que o nível continue baixando até o início de novembro.
As projeções do Laboratório de Clima da Universidade do Estado do Amazonas (LabClim/UEA) indicam que uma recuperação mais consistente do volume do rio deve começar a ser observada a partir da segunda quinzena de novembro. A previsão meteorológica também aponta possibilidade de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas em parte da bacia amazônica.
A Defesa Civil mantém o monitoramento dos níveis dos rios e das condições climáticas em todo o estado para acompanhar a evolução da estiagem e orientar as ações de resposta.
Amazonas já combateu mais de 3 mil focos de incêndio
Além da seca, as queimadas continuam preocupando as autoridades. Durante reunião do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos do Amazonas, realizada na sede do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), o governo estadual informou que mais de 3 mil focos de incêndio foram combatidos em 2026. O número supera o registrado no ano anterior, quando houve pouco mais de mil ocorrências.
Para enfrentar as chamas, as equipes já utilizaram mais de 3 milhões de litros de água. A operação mobiliza 18 aeronaves, sendo duas de órgãos estaduais e 16 disponibilizadas pelo Governo Federal, além de mais de 1.500 profissionais em campo, entre brigadistas e integrantes das forças públicas.
Fumaça compromete a qualidade do ar em Manaus
A intensificação das queimadas também afeta a qualidade do ar na capital. Dados da plataforma de monitoramento Selva apontaram condições consideradas ruins em Manaus, devido à concentração de partículas finas em suspensão na atmosfera.
Segundo monitoramentos apresentados pelo governo estadual, parte significativa da fumaça que chega à capital é transportada de áreas com queimadas no sul do Pará, especialmente nas proximidades de Itaituba e na região do Baixo Amazonas.
Mesmo com a ocorrência de chuvas pontuais, as autoridades mantêm o alerta diante da possibilidade de temperaturas elevadas nos próximos dias. A combinação de calor, estiagem e incêndios pode prolongar os efeitos da fumaça sobre a população.
Fiscalização busca responsabilizar infratores
As forças de segurança e os órgãos ambientais também intensificaram as ações para investigar queimadas ilegais e responsabilizar os envolvidos, em cumprimento ao decreto estadual que proíbe o uso do fogo.
Autazes aparece entre os municípios que concentram a atenção das equipes de fiscalização. No local, foram registradas autuações ambientais e detenções em ações realizadas em conjunto com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).
Os órgãos responsáveis ainda levantam informações sobre o total acumulado em multas e o número de prisões relacionadas às operações.
Enquanto a estiagem reduz o nível dos rios e amplia as dificuldades para as comunidades, o avanço das queimadas acrescenta pressão sobre o meio ambiente e a saúde pública. O monitoramento climático, o combate aos incêndios e a fiscalização seguem entre as principais frentes de atuação do governo estadual.



