Ciência e Tecnologia

Foto: Daniel Brandão
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Evento reúne profissionais, pesquisadores e estudantes até 30 de outubro para debater preservação da memória, soberania digital e gestão documental

Manaus recebe, de 26 a 30 de outubro, o XI Congresso Nacional de Arquivologia (CNA), realizado pela primeira vez na Região Norte. Com o tema “Arquivos e Amazônia: sustentabilidade, soberania e diversidade na era dos documentos digitais”, o encontro reúne profissionais, pesquisadores, professores, estudantes e representantes de instituições para discutir a gestão, a preservação e o acesso à informação.

A programação começou nesta segunda-feira (26), por volta das 16h, com a conferência de abertura. O primeiro dia também contou com lançamentos de livros e encontros com os autores. As atividades ocorrem no Manaus Plaza Centro de Convenções, na avenida Djalma Batista, bairro Chapada, zona Centro-Sul da capital.

Marcelo Araújo, chefe do Arquivo Público do Estado do Amazonas (Apeam), presidente da Rede de Arquivos e Memória da Amazônia (Rama) e integrante da comissão organizadora, destacou a importância de sediar o congresso pela primeira vez na região.

“É um momento muito importante. É um evento que acontecia somente no Sul, Sudeste e parte do Nordeste, então, é um momento muito emblemático, porque aqui vamos falar sobre gestão de documentos, preservação da memória e fortalecimento da classe arquivística. E a primeira vez o Amazonas traz gestores públicos, toda comunidade para prestigiar o evento e apresentar a Amazônia com tudo o que a nossa região tem gastronomia, turismo e o potencial de campo de desenvolvimento científico importante para a sociedade”, declarou.

Congresso debate soberania digital e memória amazônica

O XI CNA está organizado em seis eixos temáticos: soberania informacional e tecnológica; sustentabilidade dos arquivos no Brasil; patrimônio, memória e territórios nos arquivos; ética, responsabilidade social e políticas públicas para arquivos; formação, atuação e competências arquivísticas na sociedade brasileira contemporânea; e gestão de documentos arquivísticos.

Os debates abordam questões que ultrapassam o trabalho dos profissionais da área. A gestão adequada de documentos contribui para a transparência das instituições, a preservação da memória coletiva, a garantia de direitos, a segurança das informações e a continuidade das atividades administrativas nos setores público e privado.

Com a crescente digitalização dos serviços e da produção documental, o congresso também discute como organizar, preservar, proteger e garantir o acesso aos registros. Entre os assuntos está a soberania digital, considerada importante para manter o controle sobre informações que representam a história e a identidade dos povos amazônicos.

Marcelo Araújo ressaltou que a preservação dos documentos digitais está diretamente relacionada à autonomia informacional e à proteção da memória regional.

“Todo patrimônio de preservação digital de um estado, representa os povos, costumes e toda sua soberania informacional. É importante termos esse domínio sobre essa soberania, para ter domínio sobre os nossos destinos, registros e a preservação inerente aos nossos povos e origens. E tudo o que envolve a identidade da Amazônia”, explicou.

O dirigente também destacou que a realização do encontro pode ampliar o conhecimento sobre a região entre os participantes de outras partes do país. “A Amazônia é um lugar muito falado, porém pouco conhecido. Ao trazer um evento desses, chegam pessoas para conhecer a região e todo processo de construção e transformação”, complementou.

Evento amplia visibilidade da Arquivologia no Norte

Para Eliane Gonçalves, doutora e coordenadora do curso de Arquivologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), receber o congresso representa uma oportunidade de fortalecer a atuação profissional e valorizar a formação acadêmica na região.

“Esse evento fortalece muito os arquivistas da região. A área, a cultura, a cultura arquivística, a pesquisa e a visibilidade. Para os nossos alunos de Arquivologia, que têm aquela sensação de não serem vistos, trazerem esse evento do Sudeste, do Sul, para a região Norte, faz com que eles se sintam vistos. É visibilidade para a região Norte”, declarou.

Segundo a organização, a escolha da Amazônia como sede reforça a necessidade de considerar a diversidade cultural, social e ambiental dos territórios brasileiros nas discussões sobre memória, patrimônio documental e políticas de informação.

O congresso segue até sexta-feira (30). Os interessados podem consultar a programação, as informações sobre o evento e as inscrições no site oficial: fnarq.com.br.

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