Baixo nível do rio obriga passageiros a usar voadeiras; risco de encalhes preocupa embarcadores
A forte estiagem que atinge o Rio Solimões desde maio tem causado sérias dificuldades para o transporte fluvial entre os municípios de Benjamin Constant e Tabatinga, no Amazonas. Com a queda de aproximadamente 8,88 metros no nível do rio, muitas embarcações comerciais que operam entre Manaus e a região têm evitado chegar até o porto de Benjamin Constant, comprometendo o embarque de passageiros.
Desde agosto, barcos e lanchas deixaram de seguir para Benjamin Constant e Atalaia do Norte, e o retorno para Manaus, que normalmente ocorre pela rota completa do Solimões, também tem sido prejudicado. Como alternativa, passageiros têm recorrido a voadeiras — pequenas embarcações rápidas — para se deslocar de Benjamin Constant até Tabatinga, onde ainda é possível embarcar com mais segurança.
Comandantes de embarcações alertam para o risco de encalhes em bancos de areia, especialmente no trecho entre Tabatinga e Benjamin Constant, considerado crítico durante o período de seca. A situação levou a Prefeitura de Benjamin Constant a decretar estado de emergência, e o monitoramento da estiagem segue constante, segundo o secretário de Defesa Civil, Ricelly Dácio.
Nos últimos nove dias, o rio apresentou uma leve elevação no nível das águas, iniciada em 12 de setembro. Até o sábado (20), a Agência Nacional de Águas registrou uma cota de 3,69 metros. No entanto, autoridades alertam que ainda é cedo para considerar esse aumento como o início da cheia, podendo se tratar apenas de um repique temporário.
Moradores e embarcadores da região seguem atentos à evolução do nível do rio, que será decisiva para a retomada das rotas fluviais até o fim de setembro. Enquanto isso, a logística de transporte permanece desafiadora, afetando o cotidiano de comunidades ribeirinhas e o comércio local.



