Eliza e Yasmin nasceram unidas pelo abdômen e passaram por procedimento inédito em Goiânia; meninas seguem sob acompanhamento especializado
As gêmeas siamesas Eliza Vitória e Yasmin Vitória desembarcaram neste domingo (10) em Manaus, após 107 dias internadas no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), em Goiânia (GO), onde foram submetidas a uma complexa cirurgia de separação no dia 13 de maio. As meninas, que nasceram em abril na Maternidade Ana Braga, referência em partos de alto risco, continuarão sob os cuidados da rede estadual de saúde antes de retornarem à casa da família, no interior do Pará.
No Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, Eliza e Yasmin foram recepcionadas pelo pai, Marcos Oliveira, e por equipes do programa Melhor em Casa, da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), que oferecerá atendimento domiciliar às crianças. O acompanhamento incluirá cardiopediatria, suplementação nutricional e apoio multiprofissional.
“Agora estamos acolhendo de volta essa família. Nesse retorno, vamos dar todo o suporte ambulatorial especializado, desde a cardiopediatria até outras especialidades necessárias”, destacou a secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud.
Desde o parto, o Governo do Amazonas mobilizou um aparato médico com mais de 100 profissionais, entre médicos, enfermeiros e técnicos, para garantir o atendimento às gêmeas, que nasceram unidas pelo tórax e abdômen, compartilhando o fígado. Após avaliações no Hospital Francisca Mendes, foi definida a transferência para Goiânia, onde o cirurgião pediátrico Zacharias Calil realizou o procedimento de separação com sucesso.
Natural de Monte Alegre, no interior do Pará, a mãe das meninas, Elizandra da Costa, agradeceu o apoio recebido. “A última vez que peguei minhas filhas, elas ainda eram grudadinhas. Agora é uma alegria imensa poder segurar cada uma de um lado. Nunca nos faltou apoio”, disse emocionada.
A cirurgia, considerada um marco para a medicina brasileira, reforçou a importância da integração entre diferentes estados e a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) em casos de alta complexidade.



