Ciência e Tecnologia

Foto: Rafael Silva/BNDES
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Iniciativas incluem duas propostas com atuação no Amazonas, que juntas vão restaurar mais de 430 hectares em Humaitá e Canutama

Durante a COP-30, realizada em Belém (PA), o governo federal anunciou, nesta sexta-feira (21), o resultado da terceira seleção pública do programa Renova Amazônia, uma das principais políticas de restauração ecológica em territórios indígenas do país. Ao todo, 19 projetos foram selecionados e receberão R$ 123,6 milhões do Fundo Amazônia para ações de recuperação ambiental e fortalecimento das cadeias de restauração na Amazônia Legal.

Duas das propostas contemplam áreas indígenas localizadas ou com abrangência no estado do Amazonas, nos municípios de Humaitá e Canutama. Entre os selecionados está a Wildlife Conservation Society (WCS Brasil), que atuará nas Terras Indígenas Diahui e Sepoti e na Floresta Nacional de Humaitá, com a meta de restaurar 200 hectares, em um projeto financiado em R$ 8,64 milhões.

Outra iniciativa apoiada é da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, que alcança Terras Indígenas em Rondônia e no Amazonas — incluindo Juma, Ipixuna e Nove de Janeiro — com ações voltadas à recuperação de 232 hectares. O investimento para essa proposta é de R$ 9,7 milhões, contemplando comunidades de Nova Mamoré, Porto Velho (RO), Canutama e Humaitá (AM).

Somados, os 19 projetos selecionados vão restaurar 3.380 hectares distribuídos em 26 Terras Indígenas, abrangendo sete estados do chamado Arco da Restauração: Acre, Amazonas, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Pará e Maranhão. O objetivo é transformar a região historicamente conhecida como “Arco do Desmatamento”, responsável por 75% da devastação amazônica. A meta é recuperar 6 milhões de hectares até 2030.

A presidente da Funai, Joenia Wapichana, ressaltou que o programa vai além da recomposição da vegetação. “A iniciativa reafirma a continuidade da vida dos povos indígenas em seus territórios, preservando sementes tradicionais, vegetação nativa, práticas e manejo ancestral”, afirmou.

Na mesma linha, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o Restaura Amazônia representa uma ação de larga escala para frear o desmatamento. Segundo ele, o esforço busca evitar que a floresta atinja o “ponto de não-retorno”, quando os danos seriam irreversíveis.

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, reforçou a importância de incluir comunidades indígenas na estratégia de combate às mudanças climáticas. Ela também destacou o protagonismo desses povos na COP-30 e a necessidade de consolidar a demarcação, proteção e gestão dos territórios.

Os projetos selecionados foram distribuídos por três macrorregiões, gerenciadas pelo Ibam, Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e Conservação Internacional (CI). As iniciativas envolvem implantação de sistemas agroflorestais, fortalecimento de organizações indígenas, manejo sustentável e geração de renda.

O programa “Restaura Amazônia” conta com R$ 450 milhões do Fundo Amazônia e R$ 50 milhões da Petrobras, reforçando o compromisso de integrar restauração ecológica e práticas tradicionais de manejo dos povos indígenas.

Você também pode gostar

Editorias