Trânsito e Transporte

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Acordo garante reajuste salarial e gratificação parcial para motoristas que atuam como cobradores; normalização do transporte coletivo deve ocorrer ainda nesta quarta-feira (16)

Após dois dias de paralisação parcial dos ônibus em Manaus, a greve dos rodoviários chegou ao fim nesta quarta-feira (16), após acordo firmado entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram). A negociação foi mediada pelo Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU).

O acordo garante reajuste de 6% sobre salários e benefícios da categoria, além do pagamento mensal de R$ 600 a motoristas que também exercem a função de cobrador. Outro ponto sensível das reivindicações, a permanência dos cobradores nos coletivos, continuará sendo debatido entre as partes.

Segundo o diretor-presidente do IMMU, Arnaldo Flores, a proposta construída equilibra as necessidades dos trabalhadores com a viabilidade econômica do sistema de transporte. “O acordo contempla pontos importantes das reivindicações e garante o restabelecimento do serviço à população”, disse.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, afirmou que a proposta foi considerada razoável diante do cenário atual. “Não contempla tudo o que pedíamos, mas com certeza a greve acaba. Vamos formalizar com a diretoria”, declarou.

De acordo com o Sinetram, cerca de 397 ônibus de sete empresas deixaram de circular desde a madrugada de terça-feira (15), representando aproximadamente 30% da frota operante. A paralisação afetou diretamente mais de 300 mil passageiros e causou transtornos em diversos pontos da capital. Terminais registraram tumulto e atrasos, como no Terminal 3, na Zona Norte. “Ontem foi difícil e hoje está sendo pior”, reclamou o autônomo Francisco Silva.

O movimento grevista também impactou o funcionamento de instituições de ensino. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) suspenderam as aulas na terça-feira (15).

Reivindicações e impasses

Entre as principais demandas dos rodoviários estavam o reajuste salarial de 12%, aumento no valor da cesta básica, gratificação de R$ 1.200 para motoristas que acumulam a função de cobrador e a permanência dos cobradores nos coletivos.

Com o fim da greve, a expectativa é que o transporte coletivo seja normalizado ao longo do dia em toda a cidade.

Debate sobre tarifa

Durante agenda oficial em uma escola na Zona Norte, o prefeito David Almeida voltou a tratar do aumento da tarifa de ônibus, atualmente fixada em R$ 4,50. Segundo ele, o reajuste salarial depende do aumento da passagem.

“Esse é um dos itens que está ocasionando a greve, porque só pode dar o aumento para os rodoviários se tiver o aumento da passagem. Todas as capitais aumentaram”, justificou o prefeito.

Em fevereiro, Almeida anunciou a nova tarifa de R$ 5, mas a medida foi barrada pela Justiça por falta de transparência e ausência de estudos técnicos. No início de abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a liminar que impedia o reajuste, e uma nova rodada de negociações deve ocorrer nos próximos dias.

“O Ministério Público hoje não está questionando o aumento da passagem. Eles estão questionando a metodologia do subsídio. Isso será discutido em outro momento”, explicou. “Acredito que nos próximos dias vamos chegar a um entendimento para resolver essa situação”, concluiu o prefeito.

Você também pode gostar

Editorias