Política e Economia

Foto: Liam Cavalcante
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Fogo na região do Rio Urubu, em Itacoatiara, já atingiu mais de 4 mil hectares e provoca fumaça intensa. Qualidade do ar chegou à categoria péssima nesta sexta-feira (23).

Um incêndio florestal na região do Rio Urubu, em Itacoatiara, no interior do Amazonas, está ativo há 54 dias e já atingiu mais de 4 mil hectares de vegetação, área equivalente a cerca de 5,6 mil campos de futebol. Nesta sexta-feira (23), as chamas continuavam avançando sobre a Terra Indígena Paraná do Arauató, território tradicional do povo Mura, apesar da mobilização de equipes estaduais e federais.

O acesso difícil à região, que exige deslocamentos por estrada e, em alguns trechos, por embarcação, dificulta o trabalho dos brigadistas. A fumaça também encobre o município e compromete a qualidade do ar.

Qualidade do ar chega a nível péssimo

Na manhã desta sexta-feira, Itacoatiara registrou um dos piores índices de qualidade do ar entre as localidades monitoradas no Amazonas. Às 6h, a concentração de partículas finas suspensas no ar chegou a 250 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Às 8h15, o índice caiu para 148,8 µg/m³, mas permaneceu na categoria péssima.

Os dados são do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Presentes na fumaça das queimadas, as partículas finas podem penetrar profundamente nos pulmões e prejudicar a saúde.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) afirma que a fumaça que encobre Itacoatiara também vem de incêndios em outros municípios do Baixo Amazonas e do oeste do Pará. O vento pode levar a fumaça produzida na região para outras cidades, inclusive Manaus.

Aviões e brigadistas tentam conter as chamas

Segundo o sistema Fire Information for Resource Management System (FIRMS), da Nasa, o primeiro foco de calor na região foi registrado em 30 de agosto, às margens do Rio Urubu.

Há uma semana, dois aviões do Prevfogo, programa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e uma aeronave da Defesa Civil do Amazonas atuam na área. As operações incluem lançamentos de água sobre os trechos atingidos, com apoio de bombeiros e brigadistas.

Mesmo com a mobilização, o incêndio ainda não foi controlado. A dificuldade de acesso e o surgimento de novos focos aumentam a complexidade da operação.

Indígenas relatam morte de animais e problemas de saúde

Moradores da Terra Indígena Paraná do Arauató relataram, em 15 de outubro, à Rede Amazônica que a fumaça e os incêndios recorrentes provocam a morte de animais silvestres e prejudicam a saúde da população indígena.

A cacica da Aldeia Paricá, Aldenora Maquinez Lima, que também atua como agente indígena de saúde, lamentou os impactos das chamas sobre a floresta e a fauna.

“Dá pena de ver os bichos morrer. Preguiça, pássaros que vão fugindo do fogo e vão se acabando”, relatou.

A cacique Dina Marques, da Terra Indígena Paraná do Arauató, afirmou que os brigadistas enfrentam dificuldades para controlar o incêndio devido à extensão da área atingida e ao surgimento de novos focos. Segundo ela, enquanto as equipes combatem as chamas em um ponto, o fogo volta a aparecer em outro.

A liderança pediu que a população deixe de provocar queimadas e que as autoridades reforcem a proteção do território indígena.

Outro incêndio atinge a região de Lindóia

A região do Rio Urubu não é a única afetada pelas queimadas em Itacoatiara. Outras áreas da zona rural enfrentam incêndios há mais de duas semanas.

Na região da Vila de Lindóia, outro incêndio já atingiu mais de 800 hectares, segundo o Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

Bombeiros, equipes do governo, moradores e lideranças comunitárias estão mobilizados para tentar conter as chamas. A população também contribui com doações de combustível e alimentos para as equipes que atuam no combate ao fogo.

Operação federal mobiliza centenas de profissionais

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a atuação de aeronaves, brigadistas e forças de segurança federais contribuiu para extinguir 338 incêndios florestais no Amazonas desde o início da operação de combate às queimadas.

A estrutura federal conta com 17 aeronaves: seis aviões Air Tractor, dois KC-390, oito helicópteros e uma aeronave Caravan. A operação também utiliza nove embarcações e 66 veículos para transportar equipes e equipamentos e combater diretamente as chamas.

A força-tarefa reúne 474 brigadistas do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de 54 militares da Força Aérea Brasileira (FAB) e 41 integrantes da Força Nacional.

O governo federal também custeia as diárias de 116 bombeiros do Amazonas. As ações se concentram principalmente em regiões isoladas e de difícil acesso, onde as equipes enfrentam obstáculos para chegar aos focos de incêndio.

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