Presidente da Fetramaz avalia que repavimentação da rodovia pode reduzir tempo de transporte entre São Paulo e Manaus e ampliar competitividade frente à cabotagem e ao modal aéreo
O empresário Irani Bertolini, presidente da Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz), avaliou que a repavimentação total da BR-319 trará ganhos significativos para o setor de transporte e logística ao acelerar a chegada de cargas no Amazonas.
Em coletiva, Bertolini estimou que, em um cenário favorável, uma transportadora poderia sair de São Paulo para Manaus em nove dias, contra os atuais 15 dias de um navio de cabotagem.
“Imagina seis dias de capital de giro para o comércio e a indústria quanto representa. Hoje vocês veem aí, os juros agora estão em 14,25% ao ano, quer dizer, mais de 1% ao mês. Então, o ganho da indústria em capital de giro parado e mais o comércio é muito grande. E para nós, transportadores, quanto mais rápido chegar, descarregar e buscar outra carga, mais rotatividade no nosso investimento e também podemos fazer mais viagens”, disse.
TranspoAmazônia 2026
A reconstrução da BR-319 será tema central da III Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística – TranspoAmazônia 2026, que ocorrerá de 27 a 29 de maio, no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus. O evento deve movimentar mais de R$ 900 milhões em negócios e contará com a presença da Câmara Interamericana de Transportes (CIT), da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e da Associação Nacional de Transporte e Logística (NTC&Logística).
Segundo Bertolini, o congresso será uma oportunidade para discutir os desafios e soluções da logística na Amazônia, que possui características distintas do restante do país.
“Aqui, a gente carrega um caminhão no Rio Grande do Sul, chega em Belém, espera a balsa, embarca e vem para Manaus. Cinco dias e meio a seis dias para chegar aqui. Chega aqui, tem que fazer despacho na Suframa, na Sefaz, na Receita Federal, porque aqui é considerado exterior. Depois é liberado para descarregar”, explicou.
Estiagem e impactos
Bertolini também comentou sobre os impactos da estiagem prevista para este ano, afirmando que o transporte rodoviário e fluvial vindo de Belém não deve sofrer grandes problemas. No entanto, os armadores que atravessam o rio Madeira precisarão alterar rotas, o que pode afetar a cabotagem.
“A solução está em levar portos para Itacoatiara ou descer por Santarém. A Bertolini já tem navegação que faz de Santarém a Manaus, então acho que o caminho é esse”, disse.
Guerra e preço do diesel
O empresário destacou ainda que a guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã tem impactado diretamente o setor, elevando o preço do petróleo e, consequentemente, do óleo diesel, que chegou a R$ 7,59 em Manaus.
“Nós não temos nada a ver com a guerra, mas somos atingidos aqui. Algumas importações não estão chegando e algumas exportações não estão indo. Isso prejudica a logística do país”, afirmou.
Expectativa
Promovida pela Fetramaz, a TranspoAmazônia 2026 reunirá mais de 350 expositores nacionais e internacionais, apresentando soluções em equipamentos, sistemas digitais e projetos voltados à eficiência operacional e sustentabilidade.
Bertolini informou ainda que recebeu a notícia de que o presidente Lula viria ao Amazonas em 17 de maio para dar início às obras da BR-319, embora o diretório estadual do PT não tenha confirmado oficialmente.
Esse conjunto de fatores coloca a BR-319 e o TranspoAmazônia como eixos estratégicos para o futuro da logística na região, com potencial de transformar a competitividade do transporte no Amazonas.



