Nova estrutura reúne forças de segurança do Brasil e países vizinhos para enfrentar facções criminosas, tráfico e crimes ambientais na região
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura nesta terça-feira (9), em Manaus, o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI). O espaço reunirá agentes de segurança dos nove estados da Amazônia Legal e de países que integram a chamada Amazônia Internacional, com o objetivo de combater facções criminosas que utilizam os rios como rotas do tráfico e que se financiam por meio de atividades ilegais como garimpo e desmatamento.
O CCPI é considerado a principal aposta do governo federal dentro do plano Amazônia: Segurança e Soberania (Amas), lançado em 2023, para enfrentar o crime organizado na Pan-Amazônia. Coordenado pela Polícia Federal, o Centro contará com serviços de inteligência, divisões de operações e logística, gabinete de crise, sala de videomonitoramento e apoio de organismos multilaterais como Interpol, Europol e Ameripol.
Em coletiva nesta segunda-feira (8), o delegado Humberto Freire, diretor de Amazônia da PF, destacou que a prioridade é atacar o poder financeiro das organizações criminosas.
“A prioridade é realmente enfrentar o crime organizado, atingindo-o naquilo que lhe é mais caro, o poder financeiro. O crime ambiental hoje é a terceira atividade criminosa mais rentável do planeta”, afirmou.
Segundo Freire, em 2024 a Polícia Federal retirou R$ 6,9 bilhões do crime organizado, sendo R$ 2,1 bilhões apenas em perdas ligadas ao setor ambiental, com a apreensão de bens e destruição de equipamentos usados em crimes ambientais.
Participação internacional
O CCPI já tem confirmada a presença de oficiais da Colômbia, Bolívia, Peru, Suriname e Guiana. França, Venezuela e Equador ainda estão em tratativas para integrar a iniciativa. Entre os estados brasileiros, apenas Amapá e Tocantins não concluíram as negociações para participar do projeto.
Contexto geopolítico
A inauguração ocorre em meio à crescente pressão dos Estados Unidos sobre países latino-americanos no combate às facções criminosas. Na semana passada, militares norte-americanos afundaram uma embarcação que partira da Venezuela sob suspeita de tráfico de drogas. Em maio, técnicos do Ministério da Justiça receberam representantes dos EUA, que defenderam a classificação de grupos como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas — proposta rejeitada pelo governo brasileiro.
O Centro, financiado com R$ 36,7 milhões do Fundo Amazônia em parceria com o BNDES e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, será um espaço de integração e cooperação transnacional. Para Humberto Freire, a articulação internacional será decisiva:
“Vamos poder formar uma rede de combate, não só da lavagem de dinheiro do crime ambiental, mas também do rastreamento das cadeias produtivas ilegais, o que se chama de Follow the Product, além do Follow the Money”, destacou.



