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Estudo aponta ilhas de calor causadas pela urbanização e baixa arborização em Manaus e Belém

Mais de 85% dos moradores de Manaus convivem em bairros com temperatura média até 3ºC mais alta do que a registrada em áreas de floresta próximas à cidade. Outros 16% vivem em locais onde a diferença pode chegar a 5ºC, e em diversos pontos da capital amazonense a discrepância alcança até 10ºC.

Os dados são de um estudo exclusivo do InfoAmazonia, que analisou mapas de calor obtidos a partir do satélite Landsat 8, acessados via portal do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Como referência para comparação, os pesquisadores usaram a temperatura da Reserva Florestal Adolfo Ducke, área de floresta primária de 100 km², próxima a Manaus e administrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Situação semelhante foi observada em Belém, onde pontos da cidade apresentam diferenças de até 10ºC em relação à Área de Proteção Ambiental do Arquipélago do Combu, região florestal protegida próxima à capital paraense. A temperatura média em Belém é 2,6ºC superior à da floresta, e 17,1% da superfície urbana tem média pelo menos 5ºC mais quente.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Manaus e Belém estão entre as dez cidades brasileiras com os piores índices de arborização urbana. A cobertura vegetal corresponde a apenas 41,7% da superfície de Manaus e 39,6% da superfície de Belém.

O fenômeno conhecido como “ilhas de calor” ocorre pela combinação de superfícies urbanas, como concreto e asfalto, que absorvem calor durante o dia e o liberam à noite. O trânsito intenso e o uso de sistemas de ar-condicionado também agravam o problema, enquanto ruas estreitas e prédios altos dificultam a circulação do ar, aprisionando o calor.

Além disso, a poluição atmosférica contribui para a intensificação do efeito estufa local, impedindo a dispersão do ar quente.

“A falta de arborização em centros urbanos é o que mais se sente pelo aumento das temperaturas elevadas”, destaca Yêda Arruda, diretora do grupo de pesquisa Árvores do Asfalto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

O estudo reforça a importância de políticas urbanas que incentivem o aumento da cobertura vegetal e medidas para mitigar os efeitos das ilhas de calor, promovendo ambientes urbanos mais saudáveis e amenizando os impactos das mudanças climáticas.

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