Somente nos três primeiros meses de 2025, já foram protocolados 825 novos processos.
Entre lesões físicas, doenças ocupacionais e longas batalhas judiciais, o ambiente de trabalho no Amazonas revela uma realidade preocupante. Dados do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR) mostram que os processos envolvendo acidentes de trabalho cresceram 61% entre 2020 e 2024. No mesmo período, as ações relacionadas a doenças ocupacionais subiram 29%.
Os números se referem apenas a trabalhadores com carteira assinada, mas o impacto é amplo. Em 2020, o TRT-11 contabilizou 1.084 processos por acidentes de trabalho no Amazonas. Em 2024, foram 1.752. Já os registros por doenças ocupacionais saltaram de 966 para 1.249.
A média atual revela o ritmo alarmante dessa judicialização: um novo processo por acidente de trabalho é ajuizado a cada 5 horas no estado. As doenças relacionadas ao trabalho seguem tendência parecida, com um caso novo a cada 7 horas.
Crescimento contínuo
A tendência é de alta. Somente nos três primeiros meses de 2025, já foram protocolados 825 novos processos. Para a juíza Carolina de Souza Lacerda Aires França, gestora regional do Programa Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, os impactos vão além do sistema judiciário.
“Esses processos também geram custos expressivos para as empresas, como a contratação e o treinamento de novos funcionários, além das perdas de produtividade durante o período de adaptação. Por isso, investir em prevenção e segurança é essencial para minimizar danos e proteger os profissionais”, afirma.
Por trás das estatísticas
O acidente de trabalho é caracterizado como aquele que ocorre durante o exercício das atividades profissionais ou no trajeto entre casa e trabalho. Pode causar lesões físicas, alterações funcionais ou até levar à morte. Doenças relacionadas às condições do ambiente laboral, como problemas respiratórios, musculoesqueléticos ou transtornos mentais, também entram nessa classificação.
Além de prejudicar diretamente o trabalhador, esses casos impactam os cofres públicos por meio da concessão de benefícios como auxílio-doença acidentário e aposentadoria por invalidez, pressionando ainda mais a seguridade social.
Prevenção como prioridade
O crescimento das ações trabalhistas mostra que o problema não pode mais ser ignorado. Ambientes mais seguros, programas de saúde ocupacional e treinamentos adequados são medidas urgentes — e estratégicas. A negligência custa caro: em vidas, em produtividade e em processos judiciais.



