Reajuste de 33% anunciado pela prefeitura causa reação na CDL e impacto no orçamento de trabalhadores; caso ainda é discutido na Justiça
O novo valor da tarifa do transporte coletivo em Manaus passou a valer no último domingo (20), subindo de R$ 4,50 para R$ 6. O reajuste, anunciado por decreto publicado em edição extra do Diário Oficial do Município, gerou reações negativas, especialmente no setor comercial.
A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) manifestou preocupação com o aumento repentino. “Espero que esse impacto não leve à demissão de funcionários”, afirmou o presidente da entidade, Ralph Assayag, em entrevista à Rede Amazônica. Para ele, o reajuste poderia ter sido aplicado de forma gradual. “Foi uma pancada. Ainda mais que 70% do valor quem paga são os empresários”, disse.
A nova tarifa cheia será paga por trabalhadores que utilizam vale-transporte. Quem paga em dinheiro ou com cartão PassaFácil pagará R$ 5. Já estudantes com carteira válida continuam pagando R$ 2,50. Para beneficiários do CadÚnico, a tarifa será de R$ 4,50, mas o desconto só será efetivado após emissão de novo cartão social, dentro de 60 dias.
Para quem depende diariamente do transporte coletivo, o aumento chegou de surpresa. “R$ 4,50 estava bom, mas pular para R$ 6 de uma vez fica difícil”, reclamou a usuária Suana Rodrigues.
Impacto no bolso
Segundo o economista Emerson Queiróz, o reajuste de 33% pesa no orçamento, principalmente de quem recebe um salário mínimo. “Esse valor extra poderia ser usado para comprar cinco quilos de frango ou três placas de ovos. É um impacto direto na alimentação e nos remédios”, explicou.
Imbróglio jurídico
A novela do reajuste começou em fevereiro, quando o prefeito David Almeida (Avante) anunciou o aumento para R$ 5. A Justiça do Amazonas suspendeu a medida, alegando falta de justificativas técnicas. Após audiências de conciliação com o Ministério Público, o processo seguiu para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, no dia 10 de abril, autorizou o reajuste até que haja decisão definitiva na ação civil pública. Ainda não há data para o julgamento final.
A prefeitura alega que o reajuste é necessário para manter o equilíbrio financeiro do sistema de transporte e garantir a continuidade do serviço. Enquanto isso, o tema segue em debate nos tribunais e nas ruas.



