Parceria com empresa asiática prevê cooperação técnica e comercial enquanto projeto em Apuí avança no licenciamento ambiental
A mineradora australiana Brazilian Critical Minerals anunciou um acordo de cooperação com a Southern Alliance Mining (SAM), com foco na exploração e comercialização de terras raras no sul do Amazonas. A parceria foi divulgada no domingo (19), em meio ao processo de licenciamento ambiental do projeto no estado.
No Brasil, a operação é conduzida pela subsidiária BBX do Brasil, instalada no município de Apuí, a mais de 1,4 mil quilômetros de Manaus.
Cooperação e tecnologia
O acordo prevê a avaliação de uma possível operação conjunta entre as empresas, incluindo oportunidades comerciais, formação de joint ventures e cooperação técnica. Também está em análise a venda dos minerais extraídos no Amazonas para mercados internacionais.
Um dos pontos centrais da parceria é o uso do método de lixiviação in-situ (ISR), técnica que consiste na injeção de soluções químicas no subsolo para dissolver o minério, que depois é bombeado à superfície. O modelo dispensa escavações tradicionais e reduz a geração de rejeitos.
Projeto em fase de licenciamento
O projeto de exploração em Apuí está atualmente em análise no Ipaam. A previsão é que a operação comece em 2027, com investimento inicial estimado em R$ 200 milhões.
A empresa projeta a geração de cerca de 500 empregos diretos na fase de implantação e, posteriormente, 200 postos diretos e mil indiretos durante a operação. A expectativa de faturamento é de R$ 400 milhões por ano, com arrecadação de aproximadamente R$ 8 milhões em impostos para o município.
Além disso, há planos futuros para instalação de uma unidade de refino em Manaus, cerca de cinco anos após o início das atividades.
Importância estratégica
As terras raras são compostas por 17 elementos químicos considerados essenciais para a indústria tecnológica, incluindo a fabricação de eletrônicos, energias renováveis e equipamentos militares.
Segundo dados da Agência Nacional de Mineração, o Brasil está entre os países com maiores reservas desses minerais no mundo. No Amazonas, além de Apuí, há ocorrências em municípios como Presidente Figueiredo e São Gabriel da Cachoeira.
O avanço do projeto reforça o interesse internacional na exploração desses recursos, diante da crescente demanda global por materiais estratégicos para a chamada “indústria do futuro”.



