Política e Economia

Foto: Jeiza Russo
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Censo 2022 mostra avanço da presença feminina como responsáveis por domicílios; no estado, mais de 175 mil empreendedoras conciliam renda e maternidade, muitas vezes sem rede de apoio

A presença de mulheres à frente dos lares brasileiros vem crescendo de forma significativa. Dados do Censo 2022, do IBGE, revelam que 49,1% das unidades domésticas do país tinham mulheres como responsáveis, proporção que se aproxima da registrada entre homens. Em 2010, esse percentual era de 38,7%.

No Amazonas, o cenário também reflete esse protagonismo. Segundo o Sebrae-AM, as mulheres já representam 27,9% dos donos de negócios, somando cerca de 175 mil empreendedoras. Em um estado com mais de 109 mil famílias chefiadas por mães solo, o empreendedorismo tem se consolidado como alternativa para garantir renda e conciliar o cuidado com os filhos.

Mas, por trás da ideia de autonomia, há também sobrecarga e instabilidade financeira. A social media Taty Paiva, mãe de quatro filhos, relata que a rotina entre trabalho e maternidade é marcada pela sensação constante de estar “faltando” em algum dos papéis. O diagnóstico de autismo do filho mais novo, Miguel, tornou o trabalho em casa uma necessidade para acompanhar terapias e cuidados diários.

A artesã Nathasha Cruz, de 42 anos, encontrou na costura a forma de permanecer próxima ao filho João, de 13 anos, sem abrir mão da renda. Ex-bancária, ela reconhece que a rede de apoio familiar foi essencial para enfrentar a sobrecarga de tarefas, realidade que nem todas as mulheres conseguem vivenciar.

De acordo com o Sebrae, os principais desafios enfrentados pelas empreendedoras envolvem falta de crédito, baixa renda, ausência de planejamento e desigualdade de oportunidades. Para apoiar esse público, o programa Sebrae Delas oferece capacitações, mentorias e espaços de networking voltados ao fortalecimento emocional e ao desenvolvimento dos negócios.

O avanço do empreendedorismo feminino no Amazonas revela não apenas a força econômica das mulheres, mas também o contexto social de mães que, diante da responsabilidade de sustentar e educar seus filhos, transformam a necessidade em oportunidade — mesmo diante de obstáculos estruturais.

Fonte: A Crítica

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