Abraciclo prevê alta de 6% na produção, apesar dos impactos da estiagem no Amazonas; setor reforçou estoques e alternativas logísticas para evitar desabastecimento
O Polo Industrial de Manaus (PIM) deve produzir 2,1 milhões de motocicletas até o fim de 2026, um crescimento de 6% em relação ao ano passado. A projeção foi anunciada nesta terça-feira (13) pelo presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Marcos Bento, que afirmou que o setor está preparado para enfrentar a estiagem no Amazonas e evitar uma paralisação como a registrada em 2023.
Segundo o dirigente, as fabricantes anteciparam estoques e buscaram alternativas logísticas para reduzir a dependência do transporte fluvial durante o período de vazante mais intensa, previsto para o último trimestre do ano.
“Acho que a única coisa positiva daquela estiagem é que a gente consegue ter uma curva de aprendizado para chegar mais bem preparado para 2026. Como que a gente se prepara? Eu acho que os fabricantes aprenderam, a gente antecipa estoque, a gente encontra meios logísticos para não depender desse último trimestre que a gente sabe que a vazante vai ser maior e provavelmente o porto principal não vai funcionar”, afirmou.
Estiagem pressiona custos de transporte
O nível do rio Negro chegou a 17,62 metros nesta terça-feira (13), abaixo do patamar definido pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para a cobrança da chamada taxa da seca, tarifa que eleva os custos do frete durante períodos de dificuldade na navegação.
Marcos Bento destacou que os portos privados têm contribuído para o monitoramento dos níveis dos rios e para a busca de alternativas logísticas. Mesmo com o planejamento das empresas, porém, o setor ainda enfrenta pressão sobre os custos de transporte.
“Com certeza a indústria sofre com aumento de custo no impacto logístico, e também porque a gente começa a competir com outros produtos essenciais, vamos dizer, com alimentos, remédios. Então, esse aumento de custo infelizmente vai ter um impacto para as indústrias”, declarou.
A preocupação envolve o escoamento da produção e o abastecimento de insumos necessários ao funcionamento das fábricas instaladas no Polo Industrial de Manaus.
Produção de motocicletas cresce em 2026
Entre janeiro e setembro de 2026, o polo produziu mais de 1,6 milhão de motocicletas, alta de 9,9% em comparação com o mesmo período de 2025. De acordo com a Abraciclo, esse foi o melhor resultado para os nove primeiros meses do ano desde 2008.
Somente em setembro, foram fabricadas 186,7 mil unidades, o maior volume registrado para o mês desde 2011.
Com os resultados, a associação elevou a projeção anual de 2,07 milhões para 2,1 milhões de motocicletas. A entidade também revisou as estimativas para o mercado interno e as exportações.
A previsão é de 2,35 milhões de motocicletas emplacadas no Brasil em 2026, crescimento de 6,9% em relação ao ano anterior. Para o mercado externo, a expectativa passou de 45 mil para 48 mil unidades exportadas, avanço de 11,3% sobre 2025.
Setor defende segurança jurídica para a Zona Franca
Questionado sobre a continuidade dos incentivos da Zona Franca de Manaus (ZFM) após o período eleitoral, Marcos Bento afirmou que o setor espera manter um ambiente econômico e regulatório previsível, com segurança jurídica para os investimentos.
“O que esperamos é isso: um ambiente regulatório de segurança jurídica para que a gente continue a anunciar números positivos como hoje, com o volume de produção voltando ao patamar de 2,1 milhões de unidades, desenvolvimento regional, crescimento do número de empregos, como falamos hoje: 21,9 mil empregos diretos no Amazonas e mais de 154 mil postos de trabalho no Brasil”, disse.
A Abraciclo estima que o setor de Duas Rodas mantenha 21,9 mil empregos diretos no Amazonas e mais de 154 mil postos de trabalho em todo o país.
Mudança na escala 6×1 preocupa fabricantes
Outro tema abordado foi a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1, que estava prevista na pauta do Senado para quarta-feira (14). Bento afirmou que o setor acompanha a discussão e considera desafiadora uma eventual mudança implementada de forma abrupta.
“Com certeza demandará uma série de ajustes e impactos. Nesse momento, a gente aguarda com atenção, mas com certeza é uma questão matemática. Se nós fizermos um ajuste dessa grandeza sem que haja uma implementação gradativa, o impacto será muito grande no setor produtivo”, concluiu.
Para a associação, eventuais mudanças na jornada de trabalho exigiriam adaptações na organização das fábricas e nos custos de produção.



