Nível atual está 9 metros acima do registrado em 2024; ritmo de descida é mais lento e pode ser influenciado por fenômeno La Niña
O nível do rio Negro chegou a 25,49 metros na última sexta-feira (12), segundo medição oficial do Porto de Manaus. O dado representa uma diferença de 9,02 metros em relação à mesma data de 2024, quando o rio marcava apenas 16,75 metros, em meio à maior estiagem já registrada na capital amazonense.
Neste ano, o ritmo de descida das águas está mais lento do que em 2023 e 2024. As quedas diárias entre 11 e 13 centímetros, observadas agora em setembro, só haviam sido registradas anteriormente em 2022, ano da quarta maior cheia da história, com pico de 29,75 metros.
Em 2025, o auge da cheia ocorreu no início de julho, quando o rio atingiu 29,05 metros, ultrapassando por poucos dias a cota de inundação severa (29 metros). Desde então, o processo de vazante começou, mas com ritmo moderado. Segundo o boletim do Serviço Geológico Brasileiro (SGB/CPRM), a estiagem atual está no limiar da normalidade, embora ainda acima da média para esta época do ano.
Expectativas para os próximos meses
A previsão é que o ponto mais baixo da vazante ocorra entre outubro e novembro, coincidindo com o fim do verão amazônico. A partir de dezembro, o rio deve iniciar novo ciclo de subida.
Influência do La Niña
A Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) estima em 71% a probabilidade de ocorrência do fenômeno La Niña entre outubro e dezembro de 2025. O fenômeno, caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico, pode alterar os padrões de chuva na América do Sul.
Para o Brasil, isso significa:
- Mais chuvas no Norte e Nordeste
- Seca no Sul
- Impactos moderados no Sudeste e Centro-Oeste
A última La Niña intensa ocorreu entre 2020 e 2023, período marcado pelas maiores cheias do rio Negro. No entanto, a NOAA prevê que o evento deste ano, se confirmado, será de fraca intensidade.
Esse cenário reforça a importância do monitoramento contínuo dos rios amazônicos, especialmente diante das variações climáticas que têm desafiado previsões e afetado diretamente comunidades ribeirinhas, infraestrutura urbana e ecossistemas locais.



