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Foto: Roney Elias/Rede Amazônica
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Fenômeno incomum já afeta o Alto e o Médio Solimões, compromete portos e desacelera a subida do Rio Negro em Manaus

Cidades do Amazonas enfrentam uma seca fora de época, justamente em um período que tradicionalmente marca o início da cheia dos rios. O fenômeno, considerado atípico para esta época do ano, já provoca impactos no Alto Solimões, compromete a navegação fluvial e afeta comunidades que dependem diretamente dos rios para transporte e abastecimento.

Em Tabatinga, a cerca de 1.100 quilômetros de Manaus, a baixa do nível do rio impede a atracação de navios no porto da cidade. As embarcações precisam parar mais distantes, onde ainda há lâmina d’água suficiente. Para acessar os barcos, passageiros e trabalhadores utilizam uma ponte que, em condições normais, estaria submersa.

“Para o viajante, para comprar o cimento, alguma coisa para carregar no porto é longe”, relata o professor Izaque Silva, ao destacar as dificuldades enfrentadas pela população.

O presidente da Associação dos Taxistas Fluviais de Tabatinga, Ariosto Salvador Ramirez, alerta para os riscos provocados pela seca. “Se você não ficar muito atento às balsas, os flutuantes podem ficar em terra”, afirma.

A situação também preocupa em Coari, a 360 quilômetros da capital. No município, a área portuária apresenta trechos completamente secos, dificultando a movimentação de embarcações. “Está secando aqui pra baixo do cais, bem perto da bóia”, relata o ajudante Daniel Silva.

Tradicionalmente, o período de cheia na Amazônia ocorre entre dezembro e junho, durante o chamado inverno amazônico. No entanto, especialistas explicam que temperaturas acima da média e baixos índices de umidade têm dificultado a formação de chuvas nas cabeceiras dos rios.

Segundo a superintendente regional do Serviço Geológico do Brasil (SGB) em Manaus, Jussara Cury, os dados apontam um cenário preocupante. “O acumulado indica chuvas muito abaixo do normal em dezembro, o que manteve a recessão no Alto Solimões, que agora já ocorre também no Médio Solimões”, explica.

A falta de chuvas no interior do estado já começa a impactar Manaus. O Rio Negro, que neste período costuma subir cerca de 10 centímetros por dia, registra atualmente uma elevação média de apenas 1 centímetro diário.

A previsão é de que as chuvas cheguem nos próximos dias e contribuam para a recuperação gradual dos níveis dos rios, trazendo alívio para as populações ribeirinhas e para os setores que dependem do transporte fluvial no estado.

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