Vendas chegaram a 2,9 milhões de unidades, com crescimento de 17,1%; produção e empregos no PIM também avançaram
O segmento de Duas Rodas, concentrado majoritariamente na Zona Franca de Manaus (ZFM), encerrou 2025 com resultados recordes. De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (15) pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), o setor comercializou 2,9 milhões de unidades no varejo, o maior volume da série histórica, com crescimento de 17,1% em relação a 2024.
No mesmo período, o faturamento do setor atingiu R$ 41,6 bilhões entre janeiro e dezembro de 2025, alta de 23% na comparação anual. A produção fechou o ano em 1,9 milhão de motocicletas fabricadas no Polo Industrial de Manaus (PIM), avanço de 13,3% em relação ao ano anterior e o melhor desempenho desde 2018, quando a produção havia recuado para 883 mil unidades.
Apesar de não alcançar a meta de 2 milhões de motocicletas produzidas em 2025, o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, afirmou que o setor projeta superar esse patamar em 2026. A estimativa é de produção em torno de 2,07 milhões de unidades, com exportações de cerca de 45 mil motocicletas e um varejo de 2,3 milhões de unidades.
Segundo a Abraciclo, o setor gerou cerca de 20,6 mil empregos diretos no PIM em 2025 e opera atualmente com capacidade instalada para produzir até 2 milhões de motocicletas e 500 mil bicicletas por ano. A demanda, de acordo com a entidade, segue constante em todas as regiões do país, impulsionada pelo uso da motocicleta como alternativa de mobilidade urbana, economia de combustível e aplicação profissional.
Exportações, logística e cenário internacional
No mercado externo, o setor exportou 43 mil unidades em 2025, volume 39% superior ao de 2024. A queda nas vendas para os Estados Unidos, impactadas por tarifas impostas ao longo do ano passado, foi compensada por mercados como Argentina, Colômbia, Austrália, Canadá e França.
Apesar do bom desempenho, Marcos Bento alertou para riscos logísticos associados a conflitos internacionais. Segundo ele, restrições no espaço aéreo do Oriente Médio e instabilidades em rotas estratégicas, como o Canal do Panamá, afetam diretamente a logística da indústria instalada em Manaus, que depende do transporte fluvial e marítimo para importação de insumos e exportação de produtos.
Produção de bicicletas e projeções
No segmento de bicicletas, a Abraciclo projeta produção de 350 mil unidades em 2026, crescimento de 4,3% em relação a 2025. Conforme o vice-presidente do setor, Fernando Rocha, a expectativa é de cenário favorável, com destaque para a ampliação da oferta de modelos elétricos.
Em 2025, a região Sudeste foi o principal destino das bicicletas produzidas no PIM, concentrando 55,5% do total, seguida pelas regiões Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte.
Desafios internos
Para 2026, o setor acompanha com atenção o cenário econômico interno, marcado por juros elevados, inflação pressionada e crescimento moderado do PIB. A indústria também observa os efeitos da reforma tributária, cuja transição começou em janeiro, com a implementação inicial do IBS e da CBS.
Segundo a Abraciclo, o desafio será manter competitividade de preços e volume de produção diante das mudanças no sistema tributário e de um calendário nacional impactado por feriados prolongados, eleições e a realização da Copa do Mundo.



