Ipaam enviou equipe para avaliar os impactos ambientais; Sindicato dos Petroleiros alerta para condições atípicas de operação desde a privatização da refinaria
Um vazamento de derivados de petróleo foi registrado em um dos pontos de atracação da Refinaria da Amazônia (Ream), nas margens do rio Negro, e divulgado na manhã desta quarta-feira (29/10). Um vídeo enviado à Rede Onda Digital mostra o local com boias de contenção posicionadas, indicando a ativação do plano de contingência da refinaria.
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) confirmou o envio de uma equipe técnica ao local para avaliar o dano ambiental, mas até o final da manhã não havia um posicionamento oficial sobre a origem do vazamento. A Refinaria da Amazônia também não se manifestou oficialmente. Em caráter reservado, um funcionário informou que a empresa apura se o problema teria sido causado por um cliente durante o abastecimento de uma embarcação.
O Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM) confirmou o incidente no chamado Porto 1 da Ream, esclarecendo que o vazamento ocorreu ainda na tarde de terça-feira (28) e foi denunciado por trabalhadores que estavam no local.
“Ressaltamos que a refinaria se encontra operando em condições atípicas desde a privatização, com redução drástica das atividades de refino e possível funcionamento como terminal de movimentação e armazenamento de combustíveis, o que reforça a necessidade de inspeção rigorosa por parte dos órgãos ambientais”, informou o Sindipetro-AM em ofício encaminhado ao Ipaam.
Histórico de vazamentos
A área entre os terminais da Ream e o bairro Mauazinho, na zona Leste de Manaus, concentra recorrentes vazamentos de derivados de petróleo. O caso mais grave ocorreu em agosto de 2024, quando um rebocador afundou no porto da empresa J.F. de Oliveira Navegação LTDA, do grupo Chibatão, liberando cerca de 1,9 mil litros de óleo combustível no rio Negro.
A mancha se espalhou por dez quilômetros, atingindo áreas de preservação permanente e só foi contida nas proximidades do Encontro das Águas, um dos principais patrimônios naturais de Manaus.
Na ocasião, o Ipaam multou a empresa em R$ 2,5 milhões, enquanto o Ministério Público do Amazonas ingressou com uma Ação Civil Pública, pedindo o mesmo valor por danos ambientais e mais R$ 1 milhão por danos morais coletivos aos moradores da região.



