Negligência lidera as denúncias; maioria das vítimas são mulheres entre 60 e 69 anos
Mais de 5,8 mil casos de violações de direitos da pessoa idosa foram registrados no Amazonas entre janeiro e dezembro de 2025. O número representa um aumento de 38% em relação a 2024 e acende um alerta para a violência silenciosa enfrentada por essa população no estado.
Os dados são do Centro Integrado de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa (Cipdi), que aponta a negligência como a violação mais recorrente, com 1.764 registros no período. Em seguida aparecem situações de vulnerabilidade e risco social (1.433 casos), violência psicológica (786) e violência financeira (683).
Também foram contabilizados episódios de intimidação e perturbação (634), violência física (219), autonegligência (171) e abandono (161). Outras ocorrências envolvem ainda violência patrimonial, maus-tratos, violência sexual, retenção de documentos, crimes cibernéticos, ameaças, violência doméstica e agressões verbais.
Perfil das vítimas e denúncias
Segundo a coordenação do Cipdi, a maioria das denúncias parte de familiares, e o perfil mais recorrente das vítimas é de mulheres entre 60 e 69 anos. Para a coordenadora do centro, Márcia Magalhães, os números refletem tanto o aumento da violência quanto o fortalecimento da conscientização.
“O número de casos atendidos representa não somente o aumento da violência contra a pessoa idosa no estado do Amazonas, mas também o trabalho preventivo e educativo realizado para que a informação alcance a sociedade e incentive a denúncia, já que, em muitos casos, a pessoa idosa não se sente motivada a denunciar”, explicou.
Ampliação da rede de proteção
De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), apesar do crescimento ser preocupante, o aumento também está ligado à ampliação dos canais de denúncia e da rede de proteção no estado.
“Nós intensificamos bastante os canais de comunicação, os canais de denúncia e também descentralizamos os equipamentos. Isso reflete o número maior de casos de violência sendo denunciados, um indicativo de que mais idosos estão rompendo com esse ciclo de violência e tendo seus direitos assegurados”, afirmou a secretária Jussara Pedrosa.
Atendimentos passam de 10 mil
Em 2025, o Cipdi ultrapassou a marca de 10 mil atendimentos. Os serviços são realizados por uma equipe multiprofissional formada por psicólogos, assistentes sociais e advogado, oferecendo orientação, registro de denúncias, encaminhamentos à rede de proteção, visitas domiciliares, elaboração de relatórios, mediação de conflitos, orientação jurídica e ações temáticas.
Onde buscar ajuda
A Sejusc mantém três unidades do Cipdi, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h:
- Zona Centro-Sul: Rua do Comércio, ao lado da Delegacia Especializada em Crimes Contra o Idoso (Decci);
- Zona Leste: PAC do Shopping São José;
- Zona Norte: PAC do Shopping Via Norte.
Casos de violência contra a pessoa idosa também podem ser denunciados 24 horas por dia pelos telefones Disque 100, 180 ou 190.



