Serafim Corrêa afirma que nível do Rio Negro pode ficar abaixo de 15 metros até o fim de outubro e diz que portos já se preparam para transferir operações para Itacoatiara
O vice-governador do Amazonas, Serafim Corrêa (PSB), alertou nesta quarta-feira (2) representantes do comércio sobre a possibilidade de a forte vazante dos rios comprometer a chegada de navios a Manaus nas próximas semanas. Segundo ele, a descida acelerada do Rio Negro pode levar o nível do rio para menos de 20 metros até o fim de setembro e abaixo de 15 metros em outubro.
Nesta quarta-feira, o Rio Negro atingiu 23,94 metros na medição oficial do Porto de Manaus, uma queda de 15 centímetros em apenas um dia.
“Teremos um ano muito difícil. O rio vem descendo 16, 15, 14 centímetros. Isso significa dizer que, daqui para o final de setembro, nós estaremos abaixo da cota de 20 metros. E, ao final de outubro, provavelmente estaremos abaixo de 15”, afirmou Serafim.
Diante do cenário, os portos Chibatão e Super Terminais já se preparam para transferir, na primeira semana de outubro, estruturas de transbordo para Itacoatiara. A estratégia foi utilizada em períodos anteriores de estiagem severa e permite retirar contêineres de navios de grande porte e transportá-los em balsas até Manaus.
O alerta foi feito durante encontro promovido pela Associação Comercial do Amazonas (ACA) com representantes do setor empresarial e candidatos ao governo estadual. O governador Roberto Cidade (União), candidato à reeleição, era o convidado, mas foi representado pelo vice-governador.
Durante o evento, Serafim também afirmou que uma das prioridades de um eventual próximo governo deverá ser reorganizar o orçamento estadual. Segundo ele, existem distorções acumuladas ao longo de décadas que precisam ser corrigidas.
Taxa da seca preocupa comércio
Outro ponto discutido durante o encontro foi a possibilidade de cobrança da chamada taxa da seca, aplicada ao transporte de cargas durante períodos de baixo nível dos rios.
O presidente da ACA, Bruno Loureiro Pinheiro, lembrou que a cobrança pode aumentar os custos de transporte e afetar principalmente pequenas e médias empresas. Em 2024, segundo a entidade, a taxa chegou a US$ 5 mil por contêiner.
Serafim afirmou que o governo estadual apoia o setor comercial nas discussões, mas explicou que a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) retirou o Estado das tratativas por considerar a cobrança uma relação empresarial regulada pela agência.
Segundo o vice-governador, o impacto tende a ser maior para empresas menores, que podem repassar o custo adicional aos consumidores.
Governo vai recorrer de suspensão de empréstimo
Serafim também confirmou que o governo pretende recorrer da decisão judicial que manteve suspenso um empréstimo de R$ 1,4 bilhão junto ao Banco do Brasil.
A operação continua suspensa mesmo após manifestações favoráveis do Ministério Público Federal (MPF), da Advocacia-Geral da União (AGU) e do próprio banco. Segundo o vice-governador, o Estado pretende utilizar todos os recursos jurídicos disponíveis para tentar liberar o financiamento.



