Ciência e Tecnologia

Foto: Filipe Karam/PMPA
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Pesquisa do WRI mostra que investimentos em resiliência trazem benefícios econômicos, sociais e ambientais — com retorno médio de 27%

Investir em adaptação climática não é apenas uma ação sustentável, mas também uma oportunidade econômica. É o que revela um estudo do World Resources Institute (WRI), que analisou 320 iniciativas em 12 países e constatou que, para cada US$ 1 investido, há um potencial de retorno de até US$ 10 ao longo de dez anos.

O levantamento considerou US$ 133 bilhões em investimentos voltados à gestão de riscos climáticos físicos, como agricultura resiliente, proteção contra enchentes urbanas e expansão dos serviços de saúde. Juntas, essas ações podem gerar mais de US$ 1,4 trilhão em benefícios no período.

Segundo o pesquisador sênior do WRI, Carter Brandon, o impacto não depende da ocorrência de desastres climáticos:

“Os projetos de adaptação produzem benefícios todos os dias: mais empregos, mais saúde e economias locais mais fortes”, afirma.

Três tipos de dividendos

O estudo destaca que os retornos vêm de três frentes:

  • Perdas evitadas, como danos por enchentes ou secas;
  • Benefícios econômicos induzidos, como geração de empregos e aumento da produtividade;
  • Benefícios socioambientais, como melhoria na qualidade de vida e proteção de ecossistemas.

O relatório reforça que uma boa adaptação também impulsiona o desenvolvimento sustentável. Um exemplo citado é o de zonas costeiras protegidas, que além de reduzir riscos, garantem hábitats saudáveis, turismo e atividades pesqueiras.

Adaptação que também mitiga

Quase 50% dos projetos analisados também contribuíram para a redução de gases de efeito estufa, o que amplia o acesso a financiamento climático e mercados de carbono.

O retorno financeiro médio dos investimentos é de 27%, mas em setores como saúde, pode superar os 78%.

Apesar disso, o relatório aponta que apenas 8% das análises econômicas precificaram os benefícios dos projetos — sinalizando que bancos, fundos e governos ainda subestimam o real impacto dessas iniciativas.

“Melhorar a avaliação dos retornos pode atrair mais investidores e reduzir o déficit de financiamento da adaptação”, destaca o estudo.

Caminho para a COP30

O tema é especialmente relevante no caminho para a COP30, que acontece este ano em Belém (PA). O campeão de alto nível da conferência, Dan Ioschpe, destaca que 90% dos recursos atuais para adaptação vêm de fontes públicas, e que é hora de envolver mais o setor privado.

“Essas evidências fornecem um argumento econômico claro para dar escala na adaptação”, afirma.

O estudo do WRI também disponibiliza uma base de dados com o modelo do Dividendo Triplo da Resiliência (TDR), que visa ajudar governos e investidores a melhorarem suas análises e decisões.

A mensagem final é direta, como resume Sam Mugume Koojo, co-presidente da Coalizão de Ministros das Finanças para Ação Climática:

“É hora de os líderes entenderem que a adaptação climática não é apenas uma rede de segurança, mas uma plataforma para o desenvolvimento.”

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