Imóvel de 20 mil m², arrematado em fevereiro por R$ 3 milhões, seguirá sob posse da agremiação até reavaliação judicial da dívida de 2001
A 3ª Vara Cível da Comarca de Parintins ordenou a suspensão do leilão do terreno pertencente ao Boi-Bumbá Garantido, onde funcionam a Universidade do Folclore Paulinho Faria e um galpão de alegorias. A decisão foi tomada após a defesa da agremiação apontar inconsistências no processo, especialmente um laudo de avaliação considerado desatualizado, que, segundo os advogados, depreciava o valor real do imóvel e colocava em risco parte do patrimônio cultural do bumbá.
O espaço — cerca de 20 mil metros quadrados às margens do rio Amazonas — havia sido arrematado em fevereiro por R$ 3 milhões. O leilão foi motivado por uma dívida trabalhista de 2001: à época, o Garantido contraiu um empréstimo de R$ 15 mil para custear o pagamento de compositores do Festival Folclórico de Parintins. Como o valor não foi quitado, o terreno foi penhorado e levou quase vinte e quatro anos para chegar à praça.
Em nota, a diretoria do Boi Garantido afirmou que a suspensão “evita prejuízos irreversíveis à memória e às atividades culturais da Baixa do São José” e reforçou que segue “comprometida em proteger o patrimônio do Boi da Baixa da Xanda com responsabilidade e transparência”. O galpão instalado na área serve à confecção e armazenamento de alegorias usadas anualmente na arena do Bumbódromo, além de abrigar oficinas para a formação de novos artistas e cenógrafos.
O Tribunal de Justiça do Amazonas não informou se a suspensão é definitiva nem quais serão os próximos trâmites. Caberá à corte decidir se haverá nova avaliação do imóvel, revisão do valor da dívida ou tentativa de conciliação entre as partes. Enquanto isso, o comprador que arrematou o terreno permanece sem a posse efetiva até que a questão seja resolvida.
A decisão chega a pouco mais de duas semanas do 58º Festival de Parintins, quando o Garantido e seu rival Caprichoso voltam a disputar o título de campeão na arena do Bumbódromo. Para a diretoria vermelha-e-branca, manter o terreno é fundamental não apenas à logística das alegorias, mas à manutenção das aulas e oficinas que formam a próxima geração de artistas populares da ilha.



