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Pesquisadores do Cemaden, Inpe e Inpa apontam aumento da estação seca, mortalidade de árvores e risco de incêndios em estudo apresentado na SBPC

A Amazônia enfrenta um cenário crítico de estresse hídrico, com impactos crescentes sobre a ciclagem da água, a capacidade de estocar carbono e a resiliência da floresta. A constatação foi apresentada por pesquisadores do Cemaden, do Inpe e do Inpa durante mesa-redonda na 77ª Reunião Anual da SBPC, realizada na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Recife.

Segundo a pesquisadora Liana Anderson, do Cemaden, mais da metade da floresta tem enfrentado eventos de estresse hídrico nos últimos anos. A evapotranspiração — processo pelo qual a floresta devolve à atmosfera a água captada das chuvas — está sendo comprometida pela redução das chuvas, ondas de calor e desmatamento, o que pode alterar o ciclo hidrológico regional e continental.

Estudos do laboratório Trees (Inpe) indicam que a duração da estação seca aumentou entre 2000 e 2023, com 63% da Amazônia sob estresse hídrico em 2015, 51% em 2016 e 61% em 2023. As bordas do bioma são as mais afetadas.

O pesquisador Luiz Aragão, também do Inpe, destacou que a cada grau de aumento na temperatura, há uma redução de 6% nos estoques de carbono da floresta. A morte de árvores grandes, que possuem raízes profundas e são essenciais para a recirculação da água, compromete o sistema de regulação climática da Amazônia. Além disso, o acúmulo de madeira morta no solo torna a paisagem mais inflamável, especialmente em áreas fragmentadas.

Já os estudos do Inpa revelam que florestas com lençol freático raso têm maior resistência às secas extremas, funcionando como refúgios hidrológicos. Em contrapartida, áreas com lençol profundo apresentam maior mortalidade e menor crescimento de árvores. A pesquisadora Flávia Costa alerta que grande parte das pesquisas ainda se concentra em ambientes que representam apenas parte da diversidade amazônica.

Os dados reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à preservação da floresta, à redução do desmatamento e ao monitoramento climático, especialmente diante da aproximação do ponto de não retorno do bioma. A íntegra dos estudos pode ser consultada na Agência Fapesp.

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