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Produção agrícola é devastada e 800 alunos estão sem aulas presenciais; prefeitura adota medidas emergenciais

A cheia do Rio Madeira está provocando prejuízos graves no município de Humaitá, no sul do Amazonas. De acordo com a Defesa Civil, cerca de 16 mil pessoas já foram afetadas pela subida das águas. Neste domingo (13), o rio atingiu a marca de 23,92 metros, seis metros acima do nível registrado em janeiro.

A situação impacta principalmente a zona rural do município, onde plantações inteiras foram destruídas. “A gente aproximou mil pés de bananas e deu perda total. A banana que deu para colher não chega nem a R$ 200”, relatou o agricultor Júlio Cézar Gós, um dos produtores atingidos.

Segundo a Prefeitura de Humaitá, os prejuízos na agricultura familiar ainda estão sendo contabilizados. O coordenador da Defesa Civil do município, Jonathan Maciel, afirmou que esta é a maior cheia desde 2014. “Praticamente toda a produção da agricultura familiar e da população ribeirinha foi perdida”, disse.

Escolas paradas, conteúdo levado até os alunos

Além dos danos econômicos, a cheia também comprometeu o calendário escolar. Vinte escolas estão com as atividades suspensas, deixando cerca de 800 alunos sem aulas presenciais. Para amenizar os impactos no aprendizado, a Secretaria Municipal de Educação adotou uma estratégia alternativa.

“Nosso método é o professor levar o material e as orientações até a comunidade e até a casa de cada aluno”, explicou a secretária Arnaldina Chagas.

Na área urbana, ruas já estão alagadas e a prefeitura atua com medidas emergenciais para manter o transporte funcionando. Também estão sendo distribuídas cestas básicas e água potável para as famílias afetadas.

Chuvas intensas e La Niña elevam volume dos rios

Pesquisadores do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (Labclim/UEA) explicam que o aumento expressivo do nível do Rio Madeira é resultado da combinação do Inverno Amazônico — período de chuvas intensas — e do fenômeno La Niña, que resfria o Oceano Pacífico e aumenta a incidência de chuvas na região Norte.

A cheia do Madeira é parte de um cenário mais amplo no Amazonas: cinco rios já ultrapassaram a média histórica, e vários municípios decretaram situação de emergência. O monitoramento segue sendo feito por autoridades e especialistas para tentar antecipar novas medidas de resposta.

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